O Banco Central do Brasil reprovou nesta quarta-feira (3) a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), após mais de cinco meses de análise. O acordo previa que o BRB adquirisse parte significativa do capital do Master, mas preocupações sobre a estratégia de captação do banco pesaram na decisão. O Cade já havia aprovado a operação em junho.
Detalhes da decisão e reações das instituições
A decisão do Banco Central foi comunicada pelo BRB na noite de quarta-feira (3). No comunicado, o BRB informou que solicitou acesso à íntegra da decisão para “avaliar seus fundamentos e analisar as alternativas cabíveis”. O banco estatal defendeu que a aquisição era estratégica e traria valor ao BRB, seus clientes, o Distrito Federal e ao Sistema Financeiro Nacional. O BRB afirmou que manterá acionistas e o mercado informados sobre os próximos passos diante da reprovação.
Em nota, o Banco Master também declarou aguardar o documento completo para avaliar os fundamentos da decisão e examinar alternativas. O Master destacou confiança em sua estratégia e operação, que o fizeram se destacar em um mercado altamente concentrado.
A aprovação do BC era o último passo para a conclusão do negócio, já que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) havia dado aval à operação em junho. O acordo, anunciado em março, previa que o BRB adquirisse 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master. O BRB é controlado majoritariamente pelo governo do Distrito Federal (71,92%) e atua em vários estados.
A negociação foi acompanhada pelo Ministério Público do DF. Após questionamentos do MP, a Justiça determinou que a compra fosse aprovada pela Câmara Legislativa do DF. Em junho, o governador Ibaneis Rocha sancionou o aval da Casa à aquisição.
Contexto político e estratégia do Banco Master
Pressão sobre o Banco Central
A decisão do BC ocorreu um dia após líderes partidários na Câmara dos Deputados apresentarem pedido de urgência para um projeto de lei que permitiria ao Legislativo demitir diretores da autoridade monetária. O pedido foi feito pelo deputado Claudio Cajado (PP-BA). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestou preocupação com o projeto, afirmando que não foi discutido com o governo e que não vê motivos para seu avanço. Haddad defendeu autonomia administrativa para o BC, mas sem transformá-lo em pessoa jurídica de direito privado, como propõe a PEC 65/2023.
Estratégia de captação arriscada
O Banco Master cresceu nos últimos anos adotando uma estratégia de captação considerada arriscada por analistas. O banco oferecia CDBs com taxas muito acima do mercado, atraindo investidores com base na proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por investidor em caso de falência. O FGC é formado pelas próprias instituições financeiras e proporciona segurança aos investidores, mas também incentiva captações agressivas.
Essa prática levou o BC e o Conselho Monetário Nacional a aprovar novas regras para o FGC no mês passado, visando reduzir o risco moral de instituições que adotam estratégias excessivamente alavancadas. As novas normas entram em vigor em 1º de junho de 2026, com período de adaptação.