Política

Deputado solicita ao Banco Central suspensão da compra do Banco Master pelo BRB

Pedido ocorre após operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC envolver gestora ligada ao Master

O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) protocolou uma representação no Banco Central solicitando a suspensão da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) nesta semana.

A ação ocorre após a Operação Carbono Oculto apontar a ligação da gestora REAG Investimentos, associada ao Master, com um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC.

O deputado alerta para riscos ao patrimônio público do Distrito Federal caso ativos “contaminados por ilícitos” sejam incorporados pelo BRB.

Relações entre Banco Master, REAG e BRB sob suspeita

A representação de Fábio Felix destaca que a REAG Investimentos passou a controlar a holding do Will Bank, mantendo o Banco Master responsável por cerca de 75% das operações bancárias nesses arranjos societários.

De acordo com o deputado, esse “emaranhado de vínculos” conecta o Banco Master a estruturas financeiras investigadas na Operação Carbono Oculto, que apura o uso de fintechs e fundos de investimento para lavagem de dinheiro do PCC, especialmente por meio de fraudes no setor de combustíveis.

O documento também aponta que a REAG já possui relação com o BRB, detendo milhares de ações do banco por meio do fundo Borneo FIP Multiestratégia.

Em março de 2025, a gestora participou da Assembleia Geral de acionistas do BRB, que aprovou o aumento de capital para a aquisição do Master. O representante do fundo se absteve de votar, o que, segundo a representação, pode ter sido uma estratégia para evitar acusações de abuso de direito de voto, já que a REAG teria interesses em ambos os lados da negociação.

Histórico de investigações envolvendo as instituições

A representação apresentada por Fábio Felix lembra que não é a primeira vez que Banco Master e REAG aparecem em investigações policiais.

Em 2020, a Operação Fundo Fake, da Polícia Federal, indicou que o então Banco Máxima (atual Master) e a REAG atuaram juntos em um esquema de golpes em fundos de pensão de servidores públicos.

O caso atual reacende preocupações no mercado financeiro sobre a exposição do Master a ativos de difícil liquidez e potenciais riscos para o patrimônio público do Distrito Federal, caso a aquisição pelo BRB seja concluída.

A representação reforça a necessidade de análise criteriosa pelo Banco Central diante dos possíveis vínculos com operações ilícitas e interesses cruzados entre as partes envolvidas.

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