Economia

Ações do BRB caem após Banco Central vetar compra do Banco Master

Decisão do Banco Central encerra operação que envolvia riscos e estratégias controversas do Banco Master

As ações do Banco de Brasília (BRB) registraram forte queda nesta quinta-feira (4), após o Banco Central do Brasil (BC) rejeitar a aquisição do Banco Master. O BRB informou que solicitou acesso à íntegra da decisão para avaliar fundamentos e alternativas cabíveis. O Banco Master também aguarda o documento para analisar possíveis medidas.

Reprovação do Banco Central e reação das instituições

A operação de compra do Banco Master pelo BRB foi oficialmente barrada pelo Banco Central após mais de cinco meses de análise, mesmo com a autoridade monetária ainda dispondo de quase um ano para concluir o processo. Em comunicado ao mercado, o BRB afirmou que manterá acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos da rescisão. O Banco Master também declarou que só irá se posicionar após ter acesso à íntegra da decisão do BC.

O processo enfrentou entraves técnicos, regulatórios e institucionais desde o início, culminando na negativa do órgão regulador.

Estratégia de captação arriscada do Banco Master

Nos últimos anos, o Banco Master expandiu suas operações adotando uma estratégia de captação de recursos considerada arriscada por analistas do mercado. O banco oferecia CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com taxas muito superiores às praticadas por outras instituições, atraindo investidores por meio da proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por investidor em caso de falência de um banco associado.

O FGC é um fundo privado formado pelas próprias instituições financeiras e visa garantir os recursos dos investidores. Essa prática de captação agressiva levou o BC e o Conselho Monetário Nacional (CMN) a aprovarem, no mês passado, novas regras para o FGC, com o objetivo de reduzir o risco moral de instituições que adotam estratégias excessivamente alavancadas.

A nova norma entra em vigor em 1º de junho de 2026, com período de adaptação previsto.

O modelo de negócios do Banco Master inclui ainda investimentos em ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas, o que gerou dúvidas no mercado sobre a saúde financeira da instituição. As recentes mudanças regulatórias e a decisão do Banco Central refletem a preocupação das autoridades com práticas consideradas de alto risco no sistema financeiro.

O desfecho da operação entre BRB e Banco Master pode influenciar futuras negociações e estratégias de expansão de instituições financeiras de médio porte. O mercado segue atento a possíveis repercussões e à postura das autoridades diante de operações semelhantes.

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