Negócios

Volkswagen é condenada a pagar R$ 165 milhões por trabalho escravo no Pará

Justiça responsabiliza empresa por violações em fazenda durante a ditadura militar e determina indenização recorde

A Justiça do Trabalho condenou a Volkswagen do Brasil a pagar R$ 165 milhões por danos morais coletivos. A decisão se refere à exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão na Fazenda Vale do Rio Cristalino, no Pará, durante as décadas de 1970 e 1980. A empresa vai recorrer.

O caso foi investigado após denúncias e documentos reunidos pela Comissão Pastoral da Terra e o Ministério Público do Trabalho. A sentença também exige que a Volkswagen reconheça publicamente sua responsabilidade e peça desculpas.

Detalhes da condenação e contexto histórico

A condenação foi proferida pela Vara do Trabalho de Redenção, no sul do Pará. O valor de R$ 165 milhões é o maior já aplicado em casos de trabalho análogo ao de escravo no Brasil. A decisão determina que a indenização seja destinada a reparações e projetos sociais para erradicação do trabalho escravo e promoção dos direitos dos trabalhadores rurais.

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), cerca de mil trabalhadores foram submetidos a jornadas exaustivas, alojamentos degradantes, restrição de liberdade, falta de acesso à água potável e vigilância armada. Há relatos de escravidão por dívida e violência física. Os trabalhadores eram recrutados em cidades distantes e transportados para a fazenda, onde atuavam principalmente na derrubada da mata nativa para abertura de pastos.

O caso remonta à ditadura militar, quando a fazenda em Santana do Araguaia pertencia à Volkswagen. A documentação reunida por um padre, então coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi entregue ao MPT em 2019, dando início à investigação. Antes do processo, o órgão tentou acordo em cinco audiências entre 2022 e 2023, sem sucesso.

Repercussão, depoimentos e defesa da empresa

Organizações de direitos humanos consideraram a sentença um marco para o combate ao trabalho escravo e para a responsabilização de grandes empresas. O MPT destacou que a condenação reforça a obrigação das empresas de fiscalizar suas cadeias produtivas e garantir condições dignas de trabalho.

Um dos depoentes detalhou as condições na fazenda: “Nós ficávamos num barracão de lona, fazíamos nossa comida, bebíamos água do córrego, com chuva e nós ficamos só lá no mato mesmo, no serviço. Não podíamos sair, nem comunicar com nossa família”.

Em nota ao g1, a Volkswagen afirmou que tomou conhecimento da decisão em primeira instância e seguirá sua defesa nas instâncias superiores. A empresa declarou defender os princípios da dignidade humana e cumprir todas as leis e regulamentos trabalhistas, reafirmando seu compromisso com a responsabilidade social.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

MPT processa JBS em R$ 118 milhões por trabalho escravo na cadeia de fornecimento no Pará

Justiça condena casal por manter idosa em trabalho análogo à escravidão por 40 anos

Betano oferece bônus por avaliação positiva, dizem clientes

Empresas toleram chefes abusivos que batem metas, revela pesquisa

Casas Bahia pede recuperação judicial após crise de crédito

Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly, amplia prejuízo para R$ 232,7 milhões