Meio ambiente

Produtores integram piscicultura e agrofloresta para fortalecer sustentabilidade

Sítio em Marília alia criação de peixes, hortaliças, árvores e abelhas nativas para produção diversificada e proteção ambiental

Um sítio localizado na região de Marília (SP) adota práticas inovadoras ao unir a criação de peixes, cultivo de hortaliças e sistemas agroflorestais. O modelo sustentável já inspira outras famílias e abastece programas locais de alimentação.

Produtores apostam na integração de diferentes culturas e na reutilização de recursos, como a água da piscicultura, para reduzir impactos ambientais e ampliar a renda no campo.

Integração de sistemas diversificados impulsiona sustentabilidade

No sítio da região de Marília, a rotina é marcada pela diversificação da produção e pelo cuidado ambiental. A criação de tilápias foi o investimento mais recente dos produtores, que decidiram unir a piscicultura ao cultivo de alface dentro de um sistema agroecológico.

Segundo Sônia Maria Fernandes de Souza, “como já precisávamos da água para irrigar as hortaliças, pensamos em usá-la também para criar peixes e gerar outra fonte de renda”. A água utilizada nos tanques de peixes é reaproveitada nas hortas, reduzindo o desperdício, diminuindo o impacto ambiental e fornecendo adubação natural rica em nutrientes.

Além da piscicultura, o sítio aposta na agrofloresta, onde árvores de diferentes espécies convivem com verduras, legumes e frutas. Esse modelo garante maior biodiversidade, equilíbrio natural e melhora a qualidade do solo. Joice Aparecida Lopes explica: “Nós tentamos imitar uma floresta, com árvores nativas, frutíferas e culturas anuais misturadas. Não usamos agrotóxicos, e as próprias plantas se ajudam. Quando necessário, recorremos a biofertilizantes produzidos aqui mesmo”.

Produção sustentável beneficia comunidade e meio ambiente

Os resultados do sistema integrado já são percebidos tanto no campo quanto na mesa dos consumidores. Parte da produção abastece a merenda escolar e programas de aquisição de alimentos na região, garantindo alimentos saudáveis e cultivados em harmonia com a natureza. Joice destaca: “Hoje temos 14 hectares nesse sistema e já tem gente procurando porque viu que funciona”.

Outro destaque é a meliponicultura, com 42 colmeias de abelhas nativas sem ferrão, que contribuem para a polinização e aumentam a produtividade, especialmente das frutas vermelhas. Alessandra de Morais afirma: “No sistema agroflorestal, temos árvores nativas, exóticas e culturas de ciclo anual. Mas as frutas vermelhas são o destaque, e as abelhas fazem toda a diferença”.

Além da diversificação de culturas, os produtores utilizam o nabo forrageiro para recuperar áreas do sítio. A planta, adaptada ao frio, descompacta o solo, melhora a infiltração da água e prepara a terra para as próximas safras, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e a produtividade no campo.

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