Uma megaoperação envolvendo 1.400 agentes foi deflagrada nesta segunda-feira (28) para desarticular um esquema bilionário de adulteração de combustíveis liderado pelo PCC. O grupo atuava em toda a cadeia produtiva, utilizando metanol para fraudar gasolina e etanol. A investigação revelou que a mistura, motivada pelo baixo custo do metanol, atingia até 90% em alguns postos, provocando riscos graves aos veículos e à saúde.
Esquema de adulteração e sonegação bilionária
A operação, conduzida por força-tarefa do MP-SP, MPF e polícias Federal, Civil e Militar, cumpriu mandados em oito estados contra uma rede ligada ao PCC. O grupo é investigado por fraudes fiscais, ambientais e econômicas, com sonegação estimada em R$ 7,6 bilhões. A organização criminosa controlava desde usinas e distribuidoras até postos de combustíveis e lojas de conveniência.
O principal método de adulteração era a importação e mistura de metanol na gasolina e no etanol. Embora a Agência Nacional do Petróleo permita até 0,5% de metanol, investigações mostram que o percentual chegava a 90% em alguns estabelecimentos, expondo consumidores a sérios riscos.
Impactos no rendimento e riscos ao veículo
Segundo Ricardo Abreu, 1 litro de etanol possui 25% mais energia que 1 litro de metanol. Ao abastecer com combustível adulterado, o consumidor perde rendimento e pode rodar até 25% menos. O metanol em excesso causa superaquecimento do motor, corrosão de componentes plásticos e borrachas, além de exigir substituição frequente de peças. A combustão inadequada aumenta a poluição e, em caso de vazamento, o metanol contamina o solo e lençóis freáticos.
Tipos de metanol e histórico no setor automotivo
Metanol cinza, azul e verde
O metanol cinza é o mais comum, obtido do gás natural ou carvão, não sendo renovável. O metanol azul também vem do gás natural, mas utiliza tecnologias de captura de carbono, tornando-se um produto de baixo carbono. Já o metanol verde é produzido com energia renovável, a partir de hidrogênio verde e CO₂, sem emissões nocivas.
Uso do metanol em competições e desafios
Historicamente, o metanol foi utilizado como combustível na Fórmula Indy até 2022, quando a categoria migrou para etanol 100% renovável. Apesar de bom desempenho em alta compressão, o metanol apresentou problemas de corrosão em veículos convencionais, segundo especialistas e o engenheiro mecânico da Unica.