O setor público brasileiro registrou déficit primário de R$ 17,3 bilhões em agosto de 2025, segundo o Banco Central e o Tesouro Nacional. Apesar do resultado negativo, a dívida pública se manteve estável em 77,5% do PIB, equivalente a R$ 9,61 trilhões.
O déficit primário ocorre quando as receitas ficam abaixo das despesas do governo, sem considerar os juros da dívida.
Desempenho das contas públicas em agosto
Em agosto de 2025, o déficit primário do setor público consolidado foi de R$ 17,3 bilhões. O governo federal respondeu por R$ 15,9 bilhões desse valor, enquanto estados e municípios tiveram déficit de R$ 1,3 bilhão e empresas estatais registraram saldo negativo de R$ 6 milhões. O resultado representa uma melhora em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o déficit foi de R$ 21,4 bilhões.
Esse foi o melhor resultado para agosto desde 2022, quando houve superávit de R$ 10,7 bilhões. Os valores apresentados não foram ajustados pela inflação.
Acumulado do ano
No acumulado dos oito primeiros meses de 2025, o déficit primário chegou a R$ 61,8 bilhões, equivalente a 0,74% do PIB. No mesmo período de 2024, o saldo negativo foi de R$ 86,2 bilhões (1,12% do PIB). O déficit do governo federal na parcial do ano ficou em R$ 84,6 bilhões, ante R$ 101,6 bilhões em 2024.
A meta fiscal do governo federal para 2025 é zerar o déficit, mas as regras do arcabouço fiscal permitem um limite de até 0,25% do PIB, cerca de R$ 31 bilhões. Além disso, R$ 44,1 bilhões em precatórios são excluídos do cálculo para cumprimento da meta.
Resultado nominal e impacto dos juros
Com a inclusão dos juros da dívida pública, o chamado resultado nominal ficou negativo em R$ 91,5 bilhões em agosto. Nos doze meses até agosto, o déficit nominal acumulado foi de R$ 969,6 bilhões, ou 7,81% do PIB. As despesas com juros somaram R$ 946,5 bilhões (7,63% do PIB) no período.
Esse indicador é acompanhado por agências de classificação de risco e investidores, pois reflete a capacidade do país em honrar seus compromissos financeiros.
Dívida pública e perspectivas
A dívida do setor público consolidado permaneceu estável em agosto, atingindo 77,5% do PIB, ou R$ 9,61 trilhões. Desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida avançou 5,8 pontos percentuais. No cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui títulos na carteira do Banco Central, a dívida brasileira chegou a 91% do PIB em julho.
Especialistas consideram a proporção da dívida em relação ao PIB o melhor parâmetro para comparações internacionais. O patamar brasileiro, próximo ao de países da Zona do Euro, supera o de outras nações emergentes e da América do Sul.
Para conter o avanço da dívida, o governo aprovou em 2023 o “arcabouço fiscal”, que limita o crescimento das despesas a 70% do aumento da arrecadação e impõe teto de 2,5% ao crescimento real dos gastos anuais. No entanto, analistas apontam que, sem cortes robustos de despesas, as regras podem se tornar insustentáveis, levando a uma expansão maior da dívida e possível aumento das taxas de juros.
Projeções do mercado indicam que a dívida pode alcançar 94% do PIB em 2034, segundo o conceito brasileiro, e superar 100% do PIB pelo critério do FMI.