Susan Monarez, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, foi demitida menos de um mês após assumir o cargo. A defesa de Monarez afirma que a demissão é inválida e denuncia perseguição política. O caso ocorre em meio a renúncias na alta cúpula do CDC e críticas à condução das políticas de vacinação sob gestão de Robert Kennedy Jr..
Demissão e crise no CDC
A Casa Branca anunciou a saída de Susan Monarez do comando do CDC na quarta-feira (28), pouco depois de sua nomeação ter sido chancelada pelo Senado dos EUA. Advogados de Monarez alegam que apenas o presidente pode demiti-la e que ela não pediu demissão. Eles acusam o governo Trump de perseguição por ela se recusar a apoiar diretrizes consideradas anticientíficas e por não dispensar especialistas em saúde.
A demissão de Monarez ocorre paralelamente à renúncia de quatro altos funcionários do CDC, incluindo Debra Houry, Demetre Daskalakis, Daniel Jernigan e Jen Layden. Em cartas de renúncia, eles citam a politização da saúde pública, avanço da desinformação sobre vacinas e tentativas de cortar orçamento e influência da agência. Houry, Daskalakis e Jernigan foram escoltados para fora da sede do CDC, segundo a Reuters.
O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, declarou que Monarez “não estava alinhada com a agenda do presidente de Tornar a América Saudável Novamente” e que, diante da recusa dela em pedir demissão, foi exonerada. O HHS não comentou os motivos da saída.
Políticas de Kennedy Jr. e impactos
Desde que assumiu a Secretaria de Saúde, Robert Kennedy Jr. promoveu mudanças radicais, como a retirada das recomendações federais de vacinação contra a Covid-19 para grávidas e crianças saudáveis e a substituição do painel consultivo de vacinas do CDC por ativistas antivacina. Essas ações foram criticadas por funcionários que alegam risco à saúde de jovens e gestantes. Fiona Havers, ex-funcionária do CDC, descreveu as demissões como “devastadoras” para a agência.
Kennedy Jr. também anunciou uma investigação nacional sobre autismo e prometeu novidades em setembro sobre mudanças com “impacto significativo” nesse campo. Monarez, durante sua sabatina no Senado, afirmou não haver evidências entre vacinas e autismo, em contraste com Kennedy, que defende essa ligação.
O CDC enfrenta ainda cortes orçamentários propostos pelo governo Trump, que podem reduzir quase US$ 3,6 bilhões do orçamento da agência até 2026. Kennedy Jr. já havia anunciado um plano de demissão de 2.400 funcionários, dos quais cerca de 700 foram recontratados. O sindicato do CDC denuncia maus-tratos e difamações sofridas pela equipe, agravados por episódios como o tiroteio na sede da agência em Atlanta.