A Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou a tentativa de Donald Trump de demitir Lisa Cook, diretora do Federal Reserve. A decisão, por 5 votos a 4, foi divulgada neste domingo.
Trump havia anunciado a demissão em agosto de 2025, citando acusações não comprovadas de fraude imobiliária contra a diretora.
Cook afirma que a medida foi motivada por divergências sobre a condução dos juros pelo Fed. Ela nega as acusações e mantém mandato até 2038.
Fundamentos da decisão
O presidente da Corte, John Roberts, redigiu o acórdão e afirmou que Trump “deixou de conceder a Cook as proteções processuais às quais ela tinha direito por lei”. Para Roberts, membros do Conselho de Governadores do Fed cumprem mandatos escalonados de 14 anos e só podem ser destituídos “por justa causa” — o que não foi demonstrado no caso.
Formaram a maioria Roberts, o conservador Brett Kavanaugh e os três juízes liberais. Votaram a favor da demissão Clarence Thomas, Samuel Alito, Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett. A Corte também rejeitou pedido do Departamento de Justiça para autorizar a saída imediata de Cook enquanto o processo judicial segue em andamento.
A trajetória do caso
Indicada pelo ex-presidente Joe Biden em 2022, Cook é a primeira mulher negra no conselho do Fed. Em agosto de 2025, Trump publicou uma carta nas redes sociais com acusações de fraude imobiliária levantadas por Bill Pulte, aliado do presidente e chefe da Agência Federal de Financiamento Imobiliário.
Em setembro, uma juíza federal concluiu que a tentativa de demissão sem aviso prévio ou possibilidade de defesa provavelmente violou o direito constitucional de Cook ao devido processo legal. O Tribunal de Apelações em Washington também rejeitou o pedido de Trump para suspender essa decisão.
A autoridade tributária local informou que Cook não violou as regras sobre benefícios fiscais em imóveis — ponto central das acusações. Não há indício de que o inquérito criminal pedido por Pulte tenha avançado.
Fed no centro da disputa política
O caso Cook integra um padrão de pressão crescente do governo sobre o Federal Reserve. Desde o retorno à presidência, em janeiro de 2025, Trump tem exigido cortes mais rápidos nos juros, criticando repetidamente o então presidente do Fed, Jerome Powell — a quem chamou publicamente de “imbecil” e “grande perdedor”.
Uma investigação separada contra Powell, envolvendo supostos estouros de orçamento em reformas de prédios históricos do Fed em Washington, foi bloqueada pela Justiça em março de 2026 e arquivada em abril. Seu mandato como presidente terminou em 15 de maio, mas ele permanece no conselho.
A decisão de domingo se soma ao julgamento de fevereiro, quando a Suprema Corte derrubou grande parte das tarifas globais impostas por Trump. Nas duas ocasiões, Roberts e Kavanaugh compuseram a maioria contra o governo. Trump reagiu com críticas duras, chamando indicados conservadores que votaram contra ele de “tolos” e “lacaios” dos democratas.
