Donald Trump anunciou a demissão de Lisa Cook, diretora do Federal Reserve, alegando falta de integridade. O caso, ocorrido nos Estados Unidos, reacende discussões sobre a independência do banco central. Cook, nomeada por Biden, afirma que a decisão é ilegal e se recusa a deixar o cargo.
Especialistas alertam para riscos à credibilidade do Federal Reserve e possíveis impactos nos mercados financeiros, diante da pressão política sobre a instituição.
Contexto e repercussões da demissão
A demissão de Lisa Cook ocorre em meio a crescentes tensões políticas, com Trump buscando ampliar seu controle sobre decisões econômicas. Em publicação nas redes sociais, o presidente citou acusações relacionadas a hipotecas e declarou não confiar na integridade de Cook. A decisão rompe com a tradição institucional dos Estados Unidos, onde o Federal Reserve historicamente atua de forma autônoma em relação ao Executivo.
Especialistas apontam que a saída de Cook pode comprometer a autonomia do Federal Reserve, impactando negativamente a credibilidade da política monetária americana. Investidores demonstram preocupação com a possibilidade de interferência política nas decisões do banco central, o que pode gerar volatilidade nos mercados financeiros. O episódio ocorre em um momento em que Trump pressiona por redução nas taxas de juros.
Ineditismo da decisão
A demissão de um membro do Conselho de Governadores do Fed por decisão direta do presidente é inédita. O Federal Reserve foi concebido para proteger a política monetária de pressões políticas, com mandatos longos e escalonados para seus integrantes, que não podem ser autoridades eleitas nem membros do Executivo. O Fed também possui independência orçamentária e não submete suas decisões ao aval do presidente ou do Legislativo.
Funcionamento e riscos para o Federal Reserve
O Federal Reserve é composto por três entidades principais: o Conselho de Governadores, com sete membros indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado; os 12 Bancos de Reserva Regionais, que atuam como braços operacionais; e o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável por definir a política monetária, como a taxa de juros. O Fed presta contas ao Congresso por meio de relatórios semestrais, depoimentos públicos e divulgação de atas e balanços auditados, equilibrando autonomia técnica e responsabilidade pública.
Especialistas destacam que tentativas de intervenção política, como a de Trump, podem desestabilizar os mercados financeiros, especialmente em momentos delicados, como os efeitos das tarifas comerciais. A credibilidade do banco central americano depende de sua capacidade de tomar decisões técnicas, livres de interferência política.
Comparação com o Brasil
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também criticou a independência do Banco Central, especialmente durante a gestão de Roberto Campos Neto, devido à elevada taxa básica de juros. Lula chegou a afirmar que a independência do BC era uma “bobagem”. A autonomia do BC foi sancionada em 2021, estabelecendo mandatos de quatro anos para o presidente e diretores, não coincidentes com o mandato presidencial, para blindar a instituição de pressões político-partidárias. O Comitê de Política Monetária (Copom) é responsável por definir a Selic, a taxa básica de juros da economia.