A Casa Branca defendeu neste domingo (3) a demissão de Erika McEntarfer, chefe do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, por decisão do presidente Donald Trump.
Autoridades rebateram críticas de que a medida pode minar a confiança nos dados econômicos do país. A demissão ocorre após divulgação de relatório de emprego abaixo do esperado.
Repercussão e justificativas do governo
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, declarou à CBS que Trump tinha “preocupações reais” sobre os dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS). Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, afirmou à Fox News que o presidente “está certo em pedir uma nova liderança”. Segundo Hassett, a principal preocupação era o relatório divulgado na sexta-feira (1º), que mostrou criação de vagas de trabalho abaixo do esperado em julho e revisão negativa de 258 mil postos no mês anterior.
Trump acusou McEntarfer de falsificar números de empregos, sem apresentar evidências. O BLS é responsável por compilar relatórios de emprego, além de dados de preços ao consumidor e produtor. O órgão explicou que revisões mensais decorrem de relatórios adicionais de empresas e agências, além de recálculo de fatores sazonais.
A decisão de Trump ocorreu em meio à implementação de novas tarifas sobre parceiros comerciais, o que influenciou a queda dos mercados globais.
Críticas e preocupações sobre a confiança nos dados
Ex-líderes do Departamento de Trabalho dos EUA e críticos pediram investigação do Congresso sobre a remoção de McEntarfer, alegando risco à credibilidade do órgão estatístico. William Beach, ex-comissário do BLS, afirmou na CNN que não há como um comissário manipular os números e que revisões são normais devido à dinâmica das empresas.
O ex-secretário do Tesouro, Larry Summers, classificou a acusação de manipulação como “absurda” e destacou que os dados são produzidos por centenas de pessoas seguindo procedimentos rigorosos. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, criticou Trump por “atirar no mensageiro” ao receber más notícias. A demissão ocorre em meio a turbulências econômicas recentes.