A Justiça italiana decidiu nesta quinta-feira (28) manter a deputada federal Carla Zambelli presa enquanto aguarda julgamento do pedido de extradição feito pelo Brasil.
O tribunal destacou o “alto risco de fuga” como principal motivo, contrariando expectativas de que questões de saúde seriam decisivas na análise do caso.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão e fugiu para a Itália após a sentença.
Decisão judicial e argumentos
Segundo a sentença da Justiça italiana, o contexto da entrada de Zambelli no país levou à conclusão de que há alto risco de evasão. Os juízes afirmaram: “A turma entende que o risco de fuga, que a Defesa finge ser inexistente, deve ser avaliado à luz da conduta (comprovada) da interessada antes de sua prisão”. Eles ressaltaram que Zambelli chegou à Itália em voo internacional vindo de Miami, no dia seguinte à emissão da ordem de prisão pelo STF, em 4 de junho de 2025.
A defesa de Zambelli argumentou que questões de saúde deveriam ser consideradas para sua soltura e apresentou novo pedido ao juiz, alegando também que o governo brasileiro não teria feito um pedido formal de prisão preventiva. Contudo, a Corte Suprema da Itália declarou que o alerta vermelho da Interpol equivale a um pedido internacional de prisão, conforme o artigo 13.2 do Tratado de Extradição Itália-Brasil.
Atuação nas redes sociais
Mesmo foragida, Zambelli manteve-se ativa nas redes por meio de um perfil alternativo no Instagram. O primeiro post foi publicado em 13 de junho, cerca de 10 dias após a retirada do ar de suas contas oficiais, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes em 4 de junho.
A conta alternativa, criada em maio de 2025, já soma cerca de 4.600 seguidores e é usada para comentar política nacional e criticar o STF. Apesar da suspensão das contas principais, o novo perfil permanece acessível e foi atualizado pela última vez em 28 de julho.
Expectativas da defesa
Os advogados de Zambelli, em entrevista após a sessão em Roma, afirmaram esperar que ela seja solta “a qualquer momento”. Entretanto, a decisão judicial reforça a manutenção da prisão até o julgamento do pedido de extradição.