Política

Carla Zambelli participará por videoconferência de reunião na Câmara sobre perda de mandato

Deputada presa na Itália terá autorização judicial para se manifestar em sessão da CCJ que avalia cassação

Carla Zambelli, deputada licenciada do PL-SP, participará nesta quarta-feira (10), por videoconferência, de reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para analisar o processo de perda do seu mandato.

A autorização foi concedida pela justiça italiana, já que Zambelli está presa na prisão de Rebbibia, em Roma, após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão.

O caso é considerado inédito pelo relator Diego Garcia e pelo presidente da CCJ, Paulo Azi, pois nunca houve parlamentar brasileiro preso no exterior respondendo à ação de perda de mandato.

Participação inédita e tramitação na Câmara

A participação de Carla Zambelli na reunião da CCJ foi confirmada pelo advogado Fábio Pagnozzi, pelo presidente da comissão Paulo Azi (União-BA) e pelo relator Diego Garcia (Republicanos-PR). Segundo Garcia, o processo de perda de mandato não foi analisado antes porque a Câmara aguardava o posicionamento da justiça italiana sobre a situação da deputada.

Paulo Azi destacou: “Nunca houve parlamentar do Brasil preso no exterior respondendo à ação de perda de mandato”. A autorização para a videoconferência foi dada pela justiça italiana, permitindo que Zambelli, detida na prisão de Rebbibia, participe do processo de defesa.

A deputada foi autorizada a acompanhar a oitiva de duas testemunhas: o hacker Walter Delgatti e Michel Spiero, assistente técnico da defesa. Segundo a defesa, uma das estratégias será “mostrar que Delgatti mentiu”. A fase técnica para que Zambelli faça sua defesa na CCJ está marcada para 17 de setembro.

Condenação e prisão na Itália

Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por envolvimento em invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em janeiro de 2023. Após a condenação unânime pela Primeira Turma do STF, ela deixou o Brasil no final de maio, passando pela Argentina e pela Flórida (EUA) antes de se refugiar na Itália.

No final de julho, autoridades italianas prenderam Zambelli em um apartamento em Roma. Ela estava na lista de procurados da Interpol, e a polícia realizou um cerco ao prédio para evitar sua fuga. Embora a defesa alegue que ela se entregou espontaneamente, registros policiais apontam o contrário, mas confirmam que não houve resistência à prisão.

Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, no momento da prisão, Zambelli estava pintando e lavando o cabelo. Após ser detida, ela pegou seus remédios e foi levada para a delegacia.

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