A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados ouvirá nesta quarta-feira (24) a deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) em processo de perda de mandato.
Zambelli, presa na Itália, participará por videoconferência, assim como em sua primeira oitiva no caso.
O processo foi aberto em junho após condenação da parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Processo de cassação e depoimentos
O processo contra Carla Zambelli foi instaurado na CCJ em junho, após sua condenação pelo STF por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Antes da decisão do Supremo se tornar definitiva, Zambelli fugiu para a Itália e foi incluída na difusão vermelha da Interpol. Em julho, acabou presa nos arredores de Roma e, desde então, aguarda o desfecho do processo de extradição na penitenciária feminina de Rebibbia.
Além da deputada, cinco testemunhas ainda serão ouvidas antes que o relator, Diego Garcia (Republicanos-PR), apresente seu parecer. Até agora, a comissão já ouviu o especialista em coleta de dados Michel Spiero, o hacker Walter Delgatti Neto e o ex-assessor do TSE, Eduardo Tagliaferro. Os depoimentos pendentes incluem Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (general e ex-ministro da Defesa), Flávio Vieitez Reis (delegado da Polícia Federal), Felipe Monteiro de Andrade (agente da Polícia Federal) e Oswaldo Eustáquio (blogueiro).
Confronto entre Zambelli e Delgatti
Durante audiência remota promovida pela CCJ, Zambelli e Delgatti trocaram acusações. Delgatti, falando de uma sala no presídio de Tremembé, afirmou que a invasão aos sistemas do CNJ foi realizada a pedido da deputada, alegando inclusive ter se hospedado em sua casa, em Brasília. Segundo ele, Zambelli “exerceu o comando direto sobre os crimes”.
A deputada rebateu, dizendo que todo o processo que resultou em sua condenação se baseia em “disse-me-disse”. Zambelli também chamou Delgatti de “mitomaníaco” e questionou sua sanidade mental, mencionando o uso de medicamentos para tratar TDAH.
Próximos passos na Câmara
Após a conclusão das oitivas, o relator Diego Garcia terá até cinco sessões para apresentar seu parecer. O texto aprovado pela comissão segue para o plenário da Câmara, onde a cassação do mandato depende de maioria absoluta — pelo menos 257 votos favoráveis.