Funcionários da UNRWA, médicos e trabalhadores humanitários estão desmaiando de fome e exaustão em Gaza, segundo comunicado do chefe da agência da ONU, Philippe Lazzarini, divulgado nesta terça-feira (22).
Lazzarini relata mensagens de emergência e critica o esquema de distribuição de ajuda humanitária de Israel, classificando-o como “armadilha mortal sádica”. Mais de 1.000 pessoas morreram tentando receber ajuda alimentar desde maio, segundo a agência.
Além disso, a OMS denunciou ataques israelenses a suas instalações e ao pessoal em Gaza, agravando a crise humanitária no território.
O chefe da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, afirmou que médicos, enfermeiros, jornalistas e trabalhadores humanitários em Gaza estão famintos e muitos desmaiam de fome e exaustão durante o trabalho. “Ninguém é poupado: os cuidadores em Gaza também precisam de cuidados”, declarou Lazzarini, ressaltando o impacto da crise sobre quem deveria prestar socorro.
Em comunicado, Lazzarini criticou o esquema de distribuição de ajuda humanitária de Israel, apoiado pelos Estados Unidos e administrado pela Fundação Humanitária de Gaza, chamando-o de “armadilha mortal sádica”. Ele denunciou que mais de 1.000 pessoas foram mortas ao tentar receber alimentos desde o fim de maio e acusou atiradores de abrirem fogo contra multidões.
A UNRWA também esteve envolvida em polêmica em 2024, após a ONU afirmar que nove funcionários da agência poderiam estar ligados aos ataques do Hamas a Israel em outubro de 2023. Em novembro, Israel notificou a ONU de que não cumpriria mais o acordo com a agência e baniu a UNRWA do país.
Na segunda-feira (21), a UNRWA alertou nas redes sociais sobre a escassez extrema em Gaza, que elevou o preço dos alimentos em até 40 vezes. A agência informou ainda que há ajuda suficiente armazenada fora de Gaza para alimentar toda a população por mais de três meses.
OMS denuncia ataques a instalações em Gaza
A Organização Mundial da Saúde (OMS) denunciou nesta segunda-feira ataques israelenses contra suas instalações em Gaza. O diretor Tedros Adhanom relatou que o Exército israelense invadiu a residência do pessoal da ONU, obrigando mulheres e crianças a sair a pé e submetendo homens a interrogatórios sob ameaça de arma.
Tedros Adhanom também condenou um ataque ao depósito principal da OMS em Deir el-Balah e manifestou apoio ao comunicado de ministros das Relações Exteriores de 25 países pedindo o fim da guerra em Gaza. “Um cessar-fogo não é apenas necessário, mas já deveria ter acontecido”, afirmou Tedros na rede X.
Em resposta, Gideon Saar, ministro das Relações Exteriores de Israel, rejeitou as críticas e declarou que a pressão internacional deveria ser direcionada ao Hamas, e não a Israel.
A crise humanitária em Gaza se agrava com a escassez de alimentos, restrições à entrada de ajuda e ataques a trabalhadores e instalações humanitárias. A situação tem gerado apelos internacionais por trégua e maior acesso humanitário ao território.