Os Estados Unidos enviaram um esquadrão anfíbio com três navios de guerra para o sul do Caribe, reforçando a presença militar já composta por três destróieres na região. A medida, confirmada por oficiais americanos à Reuters, faz parte de uma operação do governo Trump para enfrentar ameaças de cartéis de drogas latino-americanos. O presidente venezuelano Nicolás Maduro classificou a ação como agressão imperialista e acusou os EUA de usarem o combate ao tráfico como pretexto para intervir no país.
Operação militar e justificativas dos EUA
De acordo com oficiais americanos ouvidos pela Reuters, os navios USS San Antonio, USS Iowa Jima e USS Fort Lauderdale podem chegar à costa da Venezuela já no domingo (24). Essas embarcações transportam cerca de 4.500 militares, incluindo 2.200 fuzileiros navais. O Departamento de Defesa dos EUA confirmou o envio do esquadrão anfíbio, realizado no dia 14, classificando-o como “um deslocamento programado”, sem detalhar o destino exato dos navios.
As fontes não especificaram a missão do esquadrão, mas indicaram que o objetivo é enfrentar ameaças de “organizações narco-terroristas” na região. O presidente Donald Trump estabeleceu o combate aos cartéis de drogas como prioridade de sua administração, visando também limitar a migração e reforçar a segurança na fronteira sul dos EUA.
Em fevereiro, o governo Trump classificou o Cartel de Sinaloa, do México, e a organização criminosa venezuelana Tren de Aragua como organizações terroristas globais, intensificando a repressão à imigração e ao tráfico.
Escalada de tensões entre EUA e Venezuela
Nas últimas semanas, a relação entre Estados Unidos e Venezuela se agravou, com promessas de uso de “força total” e mobilização de milhões de milicianos por parte do governo Maduro. Na segunda-feira, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos em resposta às ameaças americanas, destacando que a Milícia Bolivariana, criada por Hugo Chávez, apoia o Exército na defesa nacional.
Maduro afirmou: “Vou ativar nesta semana um plano especial para garantir a cobertura, com mais de 4,5 milhões de milicianos, de todo o território nacional, milícias preparadas, ativadas e armadas”. Ele reforçou que a paz e a soberania venezuelanas serão protegidas e que nenhum império tocará a terra sagrada da Venezuela ou da América do Sul.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que os EUA usarão “toda a força” contra o regime Maduro. O governo Trump também dobrou a recompensa pela captura de Maduro para US$ 50 milhões. Segundo o professor de Relações Internacionais da UFF, Vitelio Brustolin, a presença dos navios tem efeito dissuasório e serve como meio de coerção, não sendo necessariamente uma preparação para invasão terrestre.
Brustolin destacou que Maduro utiliza a investida americana para unificar a população e elevar os custos políticos de qualquer ação dos EUA, mobilizando milícias camponesas e operárias e fornecendo armamentos para a classe trabalhadora como forma de defesa.