O envio de oito navios de guerra dos Estados Unidos para a costa da Venezuela intensificou suspeitas de possível ação militar contra o regime de Nicolás Maduro, segundo o jornal Washington Post.
O governo Trump justifica a operação como combate ao narcotráfico, enquanto Caracas mobiliza tropas e denuncia ameaças.
Navios americanos devem chegar à região ainda nesta quinta-feira, após atraso causado por um furacão, segundo autoridades de Curaçao.
Tensão militar e justificativas oficiais
O envio de oito navios de guerra à costa venezuelana, revelado por agências de notícias, é considerado raro pelo Washington Post, dada a quantidade de recursos militares destacados para o Caribe, região sob responsabilidade do Comando Sul dos EUA. Entre as embarcações designadas estão destróieres como o USS Gravely, USS Sampson e USS Jason Dunham; navios anfíbios como o USS Iwo Jima, USS San Antonio e USS Fort Lauderdale; o cruzador USS Lake Erie e o submarino USS Newport News.
O governo Trump alega que a operação visa combater cartéis de drogas latino-americanos, classificados como organizações terroristas internacionais pelos EUA. No entanto, analistas apontam que a presença militar serve também como pressão direta sobre o regime de Maduro, especialmente devido às reservas de petróleo venezuelanas.
O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, declarou à emissora estatal VTV que o país “está se preparando para o pior” e mantém tropas e navios em prontidão. “Nós não subestimamos nenhuma ameaça. Também não a superestimamos e muito menos a descartamos, (…) sempre nos preparamos para o pior”, afirmou Cabello.
Maduro criticou a “diplomacia de navios de guerra” dos EUA e defendeu que a Venezuela adota uma postura diplomática de “alto nível e refinada”. “A nossa diplomacia não é uma diplomacia de navios de guerra, de ameaças (…). Não, isso acabou, está encerrado”, declarou o presidente venezuelano.
Acusações, repercussão internacional e poder militar
Cartel de los Soles e resposta americana
Os EUA acusam Maduro de liderar o suposto Cartel de los Soles, considerado organização terrorista internacional. O Departamento de Justiça americano oferece recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro, acusado de narcoterrorismo e tráfico de drogas.
Segundo a imprensa latino-americana, o Cartel de los Soles facilitaria rotas de drogas para grupos como o Cartel de Sinaloa e o Tren de Aragua. Países como Equador, Paraguai e Guiana também passaram a classificar o grupo como terrorista, ampliando o isolamento do regime venezuelano.
Capacidades militares da Venezuela
Apesar da mobilização de 4,5 milhões de milicianos anunciada por Maduro, o Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IISS) aponta que as Forças Armadas venezuelanas enfrentam “capacidades restritas” e “problemas de prontidão” devido a sanções internacionais, isolamento regional e crise econômica prolongada. O relatório do IISS destaca que a Venezuela direciona esforços para reparos e modernizações de sistemas existentes, mas enfrenta limitações na aquisição de novas tecnologias militares.
O professor Vitelio Brustolin, da UFF e pesquisador de Harvard, avalia que um ataque direto à Venezuela teria complexas implicações políticas e que o governo Trump busca emitir um sinal de força e coerção, mais do que uma intervenção imediata.