Gustavo Petro, presidente da Colômbia, afirmou nesta sexta-feira (22) que o narcotráfico está sendo usado como desculpa para invasão militar na América Latina. A declaração ocorre após os Estados Unidos, sob comando de Donald Trump, enviarem navios de guerra ao Caribe para combater cartéis de drogas.
Durante a cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Petro defendeu que o combate ao narcotráfico deve ser liderado apenas pelos países da região. A movimentação militar americana elevou tensões com o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela.
Reações e declarações de líderes latino-americanos
Em discurso na OTCA, Petro enfatizou a necessidade de coordenação entre Ministérios de Defesa, Exércitos e inteligências policiais dos países sul-americanos e latinos no combate ao narcotráfico e à máfia, considerados inimigos da floresta Amazônica. Sem citar diretamente os EUA, Petro criticou a atuação estrangeira e destacou que a resposta deve ser regional.
O envio de seis navios de guerra americanos ao sul do Caribe, próximo à Venezuela, foi confirmado por agências de notícias e agravou o clima com o governo de Nicolás Maduro. Os EUA alegam combater cartéis de drogas, mas também acusam Maduro de liderar o Cartel de Los Soles, classificado como organização terrorista internacional.
Petro já havia afirmado anteriormente que uma invasão à Venezuela seria um erro dos EUA, alertando que tal ação poderia colocar a Venezuela em situação semelhante à da Síria e envolver a Colômbia em um cenário de instabilidade. Ele reforçou que a solução para o narcotráfico deve partir dos próprios países latino-americanos.
Posicionamentos de outros líderes e organizações
Durante o evento, Lula também criticou países ricos por usarem o combate ao crime como pretexto para violar soberanias nacionais e mencionou decisões unilaterais de Trump sem considerar OMC ou ONU. A Alba, organização fundada por Hugo Chávez e Fidel Castro, declarou que o envio militar americano representa ameaça à paz regional e pediu reunião extraordinária da Celac.
Especialistas e repercussão internacional
O professor Víctor Mijares, da Universidade dos Andes, avaliou que o contingente militar americano enviado por Trump ao Caribe é pouco expressivo do ponto de vista operacional, tratando-se mais de uma mensagem política do que de uma real ameaça de invasão. Segundo Mijares, o objetivo dos EUA é reafirmar presença na região, sem intenção clara de intervenção direta.
Interesses econômicos e políticos também influenciam a movimentação, como os ligados ao petróleo e à base eleitoral do secretário de Estado Marco Rubio na Flórida. Grupos de cubanos, colombianos, venezuelanos e outros latino-americanos defendem pressão militar contra governos de Venezuela, Nicarágua e Cuba, e, em menor grau, contra a Colômbia.
A Alba reforçou apoio a Maduro e pediu mobilização internacional em defesa da Venezuela. Maduro afirmou que um ataque ao país seria um ataque a toda a América Latina e Caribe, lembrando que a ONU proíbe o uso da força e mudanças de regime impostas por outros países. Ele também anunciou o envio de um navio da Alba para promover intercâmbio comercial na região.