Donald Trump intensificou a presença militar dos EUA próximo à Venezuela, enviando navios de guerra, submarino e aviões espiões ao Caribe. Nicolás Maduro reagiu com mobilização de tropas e milicianos, alegando defesa da soberania diante do que chama de “guerra psicológica”. A operação americana, oficialmente contra o tráfico, é vista por analistas como possível preparação para intervenção.
Tensão militar e interesses estratégicos
Na última semana, Maduro apareceu de farda militar em visita a tropas e anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos e 15 mil militares na fronteira com a Colômbia. O governo Trump, por sua vez, enviou uma frota militar ao Caribe, alegando combate ao tráfico de drogas. Especialistas, porém, consideram o aparato desproporcional para essa finalidade e sugerem intenção de pressionar ou intervir no regime venezuelano.
Segundo a agência Reuters, o envio de um esquadrão anfíbio poderia permitir uma invasão terrestre. O governo dos EUA evita comentar detalhes da operação desde que a imprensa americana noticiou a movimentação em 16 de agosto.
O professor Santoro destaca que Trump busca associar o tráfico de drogas ao terrorismo para justificar o uso das Forças Armadas. “Tentar ligar o tráfico de drogas ao terrorismo é a maneira que ele tem de poder envolver os militares”, afirma. Além disso, o petróleo da Venezuela e a influência de Rússia e China são fatores-chave: o país detém as maiores reservas mundiais, e ambos apoiaram Maduro nas eleições de 2024.
Possibilidades de intervenção e reações regionais
Fontes da Casa Branca, citadas pelo site Axios, indicam que Trump ainda avalia opções, incluindo ataques aéreos a instalações ligadas ao tráfico ou uso de drones. Uma invasão, porém, é considerada improvável no momento. Santoro avalia que a capacidade defensiva venezuelana é limitada, e uma ofensiva americana poderia incluir bombardeios a instalações militares e petrolíferas, além de ações de forças especiais.
Reações na América Latina tendem a apoiar a soberania venezuelana, apesar de reservas quanto a Maduro. Países como Argentina, Equador, Paraguai, Guiana e Trinidad e Tobago apoiam a classificação do Cartel de los Soles como terrorista e, em alguns casos, a ação militar dos EUA.
Internamente, danos econômicos causados por ataques poderiam enfraquecer o regime de Maduro, que seria visto como incapaz de defender a pátria. O governo venezuelano pediu ajuda à ONU, classificando a ofensiva americana como “ameaça gravíssima” e solicitando pressão internacional para garantir a soberania do país. Até o momento, as Nações Unidas não se pronunciaram.