Política

Especialista afirma que envio de navios dos EUA à Venezuela não indica invasão

Operação naval dos Estados Unidos no Caribe é vista como mensagem política e provoca reações de países da Alba

O envio de navios de guerra dos Estados Unidos ao Caribe, próximo à costa da Venezuela, gerou condenação dos membros da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) em cúpula virtual nesta quarta-feira (21). Apesar da operação militar, o professor Víctor Mijares descarta a possibilidade de invasão dos EUA à América Latina, classificando a ação como uma demonstração política.

A operação ocorre após os EUA oferecerem recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusado de tráfico de drogas. O contingente militar enviado é considerado pouco expressivo por especialistas.

Reações regionais e contexto político

Durante a cúpula extraordinária da Alba, países-membros condenaram o envio de forças navais e aéreas dos Estados Unidos ao Caribe, especialmente nas proximidades da Venezuela. A organização, fundada por Hugo Chávez e Fidel Castro, declarou que a presença militar americana sob o pretexto de operações antidrogas representa ameaça à paz e à estabilidade regional. A Alba também solicitou ao presidente colombiano Gustavo Petro, atual líder da Celac, a convocação de uma reunião extraordinária de chanceleres.

Víctor Mijares, professor da Universidade dos Andes, na Colômbia, explicou que o deslocamento de cerca de 4.000 marinheiros e fuzileiros navais é mais simbólico do que operacional. Segundo ele, a ação dos EUA segue uma linha já observada no último ano da administração Trump, com interesses políticos internos, especialmente ligados ao secretário de Estado Marco Rubio e sua base eleitoral na Flórida.

Setores pragmáticos americanos, segundo Mijares, mantêm diálogo com Maduro ou outros líderes para garantir negócios nos setores de mineração e energia, enquanto grupos de cubanos, colombianos e venezuelanos defendem pressão militar contra governos da Venezuela, Nicarágua e Cuba, e, em menor grau, contra a Colômbia.

Desdobramentos e posicionamento de Maduro

O especialista Víctor Mijares reforçou que não há sinais de intervenção direta dos EUA, mas sim de uma operação naval com objetivo de reafirmar presença política no Caribe. Embora haja fuzileiros navais e soldados de infantaria, a movimentação permanece restrita ao mar.

Durante a reunião da Alba, Nicolás Maduro convocou manifestações globais em apoio à Venezuela e afirmou que qualquer ataque ao país seria um ataque contra toda a América Latina e Caribe. Ele destacou que a ameaça de uso da força é proibida pela ONU, assim como a promoção de mudanças de regime.

Maduro anunciou ainda o envio de um navio da Alba para a região nesta quinta-feira (22), com a finalidade de iniciar um projeto de intercâmbio comercial entre os países do bloco. A influência da Alba, composta por nove países, diminuiu após a morte de Chávez em 2013, mas a organização segue ativa em defesa dos interesses regionais.

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