Política

Dino afirma que decisão sobre Lei Magnitsky não influenciou queda da Bolsa

Ministro do STF diz que sua decisão não está relacionada à desvalorização do mercado financeiro após sanção dos EUA a Alexandre de Moraes

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, declarou nesta quarta-feira (20) que sua decisão sobre a Lei Magnitsky não tem relação com a queda da Bolsa de Valores ocorrida na terça-feira (19).

Dino destacou que o Brasil só acata decisões de tribunais internacionais dos quais seja signatário, e não atos unilaterais de governos estrangeiros, como a sanção dos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes.

O posicionamento do ministro gerou dúvidas entre bancos, que temem sanções dos EUA caso não cumpram as determinações americanas.

Decisão de Flávio Dino e repercussão no mercado

Na segunda-feira (18), Flávio Dino decidiu que o Brasil não é obrigado a cumprir sanções impostas unilateralmente por governos estrangeiros, como as previstas na Lei Magnitsky dos Estados Unidos. A decisão foi esclarecida na terça-feira (19), após dúvidas surgirem entre instituições financeiras sobre qual legislação seguir diante das sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes.

A sanção dos EUA impede Moraes de entrar no país e de usar cartões de crédito com bandeira norte-americana. Bancos brasileiros ficaram em dúvida se deveriam seguir a decisão do Judiciário nacional ou as restrições impostas pelos EUA, temendo possíveis sanções secundárias.

Durante evento do Tribunal Superior do Trabalho, Dino ironizou a suposta influência de sua decisão sobre o mercado financeiro: “Não sabia que eu era tão poderoso: R$ 42 bilhões de especulação financeira. A sorte é que a velhice ensina a não se impressionar com pouca coisa. É claro que uma coisa não tem nada a ver com a outra”.

O ministro afirmou que sua decisão segue princípios consolidados do direito internacional, especialmente o da territorialidade. “Foi uma decisão entre tantas obviedades do princípio da territorialidade. Conteúdo nada heterodoxo, mera repetição de conceitos assentados no mundo.”

Para ilustrar, Dino citou um exemplo inverso: “Imaginem se o TST emitisse uma súmula dizendo que as relações trabalhistas nos EUA devem seguir a lei brasileira. Tenho a impressão de que não seria bem aceita.”

Entenda a Lei Magnitsky

A Lei Magnitsky permite que os Estados Unidos imponham sanções a cidadãos estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção em larga escala. A legislação foi aprovada em 2012, durante o governo Barack Obama, e tornou-se global em 2016.

O nome da lei homenageia Sergei Magnitsky, advogado russo que morreu na prisão após denunciar crimes de lavagem de dinheiro e corrupção na Rússia. Inicialmente, a lei visava oligarcas russos, mas passou a abranger casos de corrupção e violações de direitos humanos em outros países.

Sanções previstas

As sanções da Lei Magnitsky são consideradas rigorosas, sendo chamadas de “pena de morte financeira” por alguns. Entre as punições, estão o bloqueio de cartões de crédito das principais bandeiras americanas, proibição de abertura de contas em bancos dos EUA e risco de sanções secundárias para instituições financeiras que não cumprirem as restrições.

Pessoas sancionadas também podem ter vistos cancelados e serem impedidas de entrar nos Estados Unidos. Além disso, a inclusão na lista de sancionados acarreta danos reputacionais, associando o nome a violações sistemáticas de direitos humanos.

O uso da lei contra Alexandre de Moraes é inédito e marca a primeira vez que uma autoridade brasileira é alvo de sanções dessa magnitude pelos EUA.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Flávio Dino afirma que STF não pode ceder a ameaças e defende decisão sobre bancos

Bancos brasileiros enfrentam pressão dos EUA após sanções Magnitsky contra Moraes

Dólar sobe com expectativa sobre resposta do Brasil aos EUA e reunião Trump Zelensky

Dino impede restrições no Brasil baseadas em atos unilaterais estrangeiros

Ministros do STF rebatem embaixada dos EUA e afirmam que normas americanas exigem homologação no Brasil

Decisão de Dino e sanção Magnitsky colocam bancos brasileiros em situação delicada