O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, declarou nesta quarta-feira (20) preocupação com o deslocamento de navios de guerra dos Estados Unidos para o Caribe, próximo à Venezuela.
A movimentação ocorre dias após o governo Trump afirmar que usará “força total” contra o regime de Nicolás Maduro. Amorim reforçou que o Brasil é contrário a qualquer interferência em assuntos internos da Venezuela.
Movimentação militar e reação brasileira
Durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, Celso Amorim abordou o envio de três navios destróieres da Marinha dos Estados Unidos ao sul do Caribe, próximo à costa venezuelana, conforme noticiado pelas agências Reuters e Associated Press.
Segundo informações oficiais, a operação americana visa combater organizações envolvidas no tráfico de drogas entre América do Sul e Estados Unidos. No entanto, a movimentação coincide com declarações recentes da porta-voz do governo Trump, Karoline Leavitt, que afirmou que o país usará “toda a força” contra o regime de Nicolás Maduro.
Amorim destacou que “somos sobretudo contra a intervenção externa” e enfatizou que “não intervenção são princípios basilares da política externa brasileira”.
Princípios históricos e preocupações atuais
O assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou que a posição do Brasil é contrária a qualquer interferência em assuntos internos da Venezuela. Ele lembrou que, mesmo durante o período de governo militar, o Brasil nunca aceitou a ideia de intervenção externa.
Amorim manifestou preocupação com a presença de navios de guerra americanos próximos à costa venezuelana, especialmente diante das declarações de possível uso de “força total”. Para ele, o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação entre países e não por intervenções unilaterais.
As declarações de Amorim reforçam a postura do governo brasileiro de defesa da soberania nacional e do diálogo multilateral nas relações internacionais.