O senador centrista Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, lidera a eleição presidencial na Bolívia, segundo boca de urna divulgada neste domingo (17) pela Unitel TV.
Paz soma 31,3% dos votos, seguido pelo ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, da Alianza Libre, com 27,3%.
Como nenhum candidato atingiu os requisitos para vitória em primeiro turno, a disputa deve ser decidida em segundo turno.
Cenário eleitoral e regras do pleito
De acordo com a legislação boliviana, para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos ou, alternativamente, pelo menos 40% com uma vantagem mínima de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. A diferença entre Rodrigo Paz e Quiroga, de 4 pontos percentuais, não garante essa vitória imediata.
O levantamento da Unitel TV revela uma eleição marcada pela fragmentação e pela busca do eleitorado por alternativas ao partido governista Movimiento al Socialismo (MAS), que enfrenta divisão interna entre o presidente Luis Arce e o ex-presidente Evo Morales. Morales foi impedido de concorrer e orientou apoiadores a votar nulo, em protesto à condução do processo eleitoral.
Apesar de episódios isolados de tensão, como o ataque ao candidato de esquerda Andrónico Rodríguez, autoridades e observadores relataram que a maioria dos locais de votação funcionou normalmente.
Crise e mudança política
A Bolívia atravessa uma grave crise econômica, com inflação elevada, escassez de combustíveis e divisas, além de longas filas para alimentos e medicamentos. Esse cenário aumentou a insatisfação popular e impulsionou candidaturas de centro e direita, enfraquecendo o MAS.
Perfil de Rodrigo Paz
Com 55 anos, Rodrigo Paz Pereira é filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora. Conhecido pelo perfil conciliador, foi prefeito de Tarija antes de chegar ao Senado, destacando-se por defender gestão moderna e responsabilidade fiscal. Embora seu partido, o Democrata Cristão (PDC), tenha base pequena, Paz se consolidou como alternativa de moderação e estabilidade, prometendo romper com a radicalização política do país e focar na estabilização econômica e fortalecimento institucional.
O resultado do primeiro turno reflete o desejo de parte do eleitorado por mudanças e maior previsibilidade diante da instabilidade dos últimos anos.