As eleições presidenciais na Bolívia devem ser decididas em segundo turno, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo (17) pela TV local Unitel e pela Ipsos Ciesmori.
O senador centrista Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão (PDC), lidera com 31,3% dos votos, seguido pelo ex-presidente conservador Jorge “Tuto” Quiroga, da coalizão Alianza Libre, com 27,3%.
O segundo turno está previsto para 19 de outubro e marca o enfraquecimento do Movimiento al Socialismo (MAS), que governou o país por duas décadas.
Os candidatos que avançam
Rodrigo Paz: alternativa de centro
Rodrigo Paz Pereira, 55 anos, tenta se consolidar como opção centrista em meio à polarização política. Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, já foi deputado, vereador e prefeito de Tarija, onde ganhou notoriedade por obras de infraestrutura e gestão fiscal. Atualmente senador, Paz busca atrair tanto setores conservadores quanto progressistas, defendendo estabilização econômica, investimentos estrangeiros e fortalecimento institucional.
Apesar do apoio entre jovens urbanos e eleitores insatisfeitos com a radicalização, Paz enfrenta polêmicas. Durante sua gestão em Tarija, foi investigado por supostas irregularidades na construção da “Puente Millonario”. Ele nega as acusações e atribui a investigação à “perseguição política” do MAS.
Jorge ‘Tuto’ Quiroga: experiência e polêmicas
Jorge “Tuto” Quiroga, 65 anos, é figura tradicional da direita boliviana. Ex-presidente (2001-2002), foi vice de Hugo Banzer e aplicou medidas liberais e aproximação com os EUA. Após tentativas frustradas de retornar ao poder, manteve-se crítico dos governos de Evo Morales e Luis Arce. Em 2025, lidera a coalizão Libre, defendendo cortes de subsídios, modernização do Estado e combate ao narcotráfico.
Quiroga esteve envolvido na crise de 2019, participando de negociações para a saída de Morales. Em 2025, rompeu com bloco oposicionista por discordar do critério de escolha de candidaturas, sendo criticado por priorizar ambições pessoais.
Crise e fragmentação política
A Bolívia vive grave crise econômica, com inflação recorde, escassez de combustíveis e alimentos, e queda nas reservas internacionais. Filas para itens básicos ilustram o descontentamento popular.
No cenário político, o Movimiento al Socialismo (MAS) chega enfraquecido: Evo Morales foi impedido de concorrer e Luis Arce desistiu da disputa, deixando o partido sem liderança clara e papel marginal nesta eleição.
O provável segundo turno entre Paz e Quiroga simboliza o fim do ciclo do MAS e a busca por novos rumos. De um lado, um centrista visto como renovação, mas sob suspeita de irregularidades; de outro, um conservador experiente, envolvido em momentos decisivos e polêmicos da história recente boliviana.
O desfecho da eleição pode redefinir o futuro político do país, diante de um eleitorado insatisfeito e dividido.