Política

Preso em La Paz há 18 dias, brasileiro vê dinheiro acabar com crise boliviana

Protestos contra o presidente Rodrigo Paz bloqueiam estradas, causam escassez e impedem a saída de turistas do país
Rodrigo Paz e Evo Morales em La Paz durante crise que deixa brasileiros presos na Bolívia

Gabriel Medeiros, designer de 26 anos de Bauru (SP), chegou a La Paz em 5 de maio para passar três dias. Neste sábado (23), ele completa 18 dias preso na capital boliviana, sem previsão de sair.

Protestos contra o governo do presidente Rodrigo Paz bloquearam estradas em todo o país, e o preço dos voos — única saída disponível — subiu a valores que o jovem não consegue pagar. O dinheiro, reservado para um mochilão pela América do Sul, está acabando.

Outra brasileira, a enfermeira Fabiane Gerotti Mendes, 36, de Campo Grande (MS), passou dois dias ilhada em bloqueios antes de conseguir escapar às 4h da manhã — em uma fila de cinco quilômetros de caminhões.

Protestos que paralisam a Bolívia

A Bolívia vive uma onda de manifestações desde o início de maio contra o governo de Rodrigo Paz, presidente de centro-direita que assumiu o poder há seis meses, encerrando duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo Morales.

Estradas têm sido bloqueadas em várias regiões do país. A polícia reage com bombas de gás a protestos que reúnem camponeses, mineiros, professores e trabalhadores da Central Operária Boliviana (COB), principal central sindical do país ligada ao ex-presidente. As demandas vão de mudanças na política agrária à renúncia do presidente.

A única saída de La Paz é pelo aeroporto de El Alto, que opera de forma intermitente. Na sexta-feira (22), manifestantes chegaram a fechar o acesso por algumas horas.

O que provocou a crise

A crise tem raízes em problemas crônicos. A inflação boliviana chega a 15% ao ano e o governo Paz eliminou os subsídios ao combustível herdados da gestão anterior. Uma análise da Universidade Superior de San Andrés (UMSA) concluiu que as gasolinas vendidas no país não atendem aos padrões de qualidade.

Em abril, Paz anunciou uma reforma agrária para converter pequenas propriedades rurais em médias, sob alegação de facilitar o acesso a crédito. Grupos camponeses interpretaram a medida como ameaça às suas terras. O presidente recuou e revogou a iniciativa semanas depois.

Em 9 de maio, Paz também anunciou uma “reforma parcial” da Constituição para atrair investimentos em hidrocarbonetos e mineração. Movimentos sociais acusam o governo de abrir caminho para a privatização dos recursos naturais — acusação que o presidente nega.

O Itamaraty recomendou, em comunicado de 11 de maio, que brasileiros evitem viagens não essenciais aos departamentos de La Paz e Oruro. O ministério informou estar prestando assistência consular aos que procuram as representações diplomáticas no país.

Entre bloqueios e madrugadas: os relatos dos brasileiros

Gabriel procurou a embaixada brasileira em La Paz e foi informado de que a única saída seria comprar uma passagem aérea — opção que os preços crescentes tornaram inviável. Ele pretendia seguir de ônibus ao Peru para um trabalho voluntário, mas ficou sem alternativa financeira. Hospedado em um albergue com outros turistas, o que era viagem virou impasse de 18 dias.

“As pessoas têm reclamado que não tem chegado frango, que é algo que eles comem muito aqui”, relata. Restaurantes passaram a oferecer apenas um prato por dia e aumentaram os preços gradualmente.

Para Fabiane, a saída foi mais dramática. Viajando sozinha de carro desde Campo Grande, ela encontrou o primeiro bloqueio na rota para o Salar de Uyuni, a principal atração turística boliviana. Em Aiquile, cidade de 23 mil habitantes no interior do país, ficou presa por duas noites sem conseguir combustível nos postos locais.

Um morador a aconselhou a tentar atravessar de madrugada. Na sexta-feira, às 4h, ela pegou o carro e encontrou uma fila de cinco quilômetros de caminhões — mas os manifestantes não estavam. “Quando vi os carros atravessando, comecei a chorar. Não acreditei que ia finalmente sair dali”, disse. Ela retorna ao Brasil neste domingo (24).

Seu conselho aos viajantes: “Não venham pra cá. Tem muitos bloqueios e os protestos estão aumentando.”

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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