O aumento do imposto de importação, chamado de tarifaço, levou a indústria do pescado no Brasil a buscar novos mercados desde 6 de agosto. A medida visa evitar demissões e manter a produção diante da queda nas exportações para os Estados Unidos, principal destino do setor.
Empresas como a Fider Pescados, segunda maior exportadora de tilápia do país, tentam alternativas para escoar a produção e preservar cerca de 20 mil empregos ameaçados.
Impacto do tarifaço e desafios para o setor
O recente aumento das tarifas de importação, conhecido como tarifaço, trouxe grande preocupação à indústria do pescado no Brasil. Com mais de 60% das exportações destinadas aos Estados Unidos, o setor foi diretamente afetado pela nova taxa de 50%, em vigor desde 6 de agosto. O cenário resultou em dificuldades para escoar o produto e ameaçou tanto os lucros das empresas quanto a manutenção dos empregos.
A Fider Pescados, localizada em Rifaina, São Paulo, é um dos exemplos mais impactados. A empresa, que opera 400 tanques de criação no rio Grande e emprega cerca de 500 pessoas, vê o futuro incerto. Segundo Juliano Kubitza, diretor da Fider, “não existem outros países com o mesmo consumo dos EUA”, o que torna a busca por novos mercados internacionais um desafio ainda maior.
Preocupação com empregos e produção
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados, aproximadamente 20 mil trabalhadores podem ser afetados por cortes e paralisações. Sérgio Secco, líder de equipe na Fider, relata: “O tarifaço vem para dar uma rebatida na gente. Querendo ou não, isso vai impactar no nosso emprego e na produção, porque aqui exportamos muito”. Rafaela Ferreira do Nascimento, funcionária da linha de produção, também expressa receio de demissões, embora a empresa, por ora, descarte cortes para não comprometer o processamento das toneladas de tilápia prontas para comercialização.
Mercado interno e estratégias para o futuro
Diante da dificuldade de encontrar novos compradores internacionais para a tilápia fresca, produto de maior margem de lucro, a alternativa imediata é fortalecer as vendas no mercado brasileiro, que já absorve metade da produção da Fider. Samuel Araújo Carvalho, supervisor de produção, explica que parte dos peixes que seriam exportados frescos terá de ser congelada para venda interna, o que reduz o valor de mercado.
A adaptação, no entanto, não é simples. “Não se conquista um mercado da noite para o dia”, afirma Kubitza. Além disso, a empresa se vê obrigada a negociar preços menores do que os praticados antes do tarifaço. Um restaurante local, por exemplo, recusa-se a comprar peixes da Fider a preços mais altos, mesmo diante das novas condições.
Com a instabilidade, a Fider suspendeu um plano de expansão que aumentaria a produção em 35%. “O desempenho dos próximos meses vai ditar o que faremos no ano que vem. Agora é sangue frio e buscar para quem vender”, conclui o diretor Kubitza.