A CNI reduziu a estimativa das exportações brasileiras em 2025 para US$ 341,9 bilhões, US$ 5,4 bilhões a menos que o previsto anteriormente.
A revisão ocorre após a imposição de um tarifaço pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, afetando mais da metade das vendas ao país.
O governo anunciou medidas para mitigar os efeitos, mas a maioria ainda depende de aprovação no Congresso.
Impacto do tarifaço dos EUA nas exportações
A nova projeção da CNI foi apresentada no Informe Conjuntural do segundo trimestre, refletindo o impacto direto do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Segundo cálculos da entidade, mais de 50% dos itens exportados aos EUA sofrerão sobretaxa de 50%. Essa medida elevou a preocupação entre empresários e autoridades brasileiras, que veem risco de perda de competitividade internacional.
Na tentativa de conter os danos, a equipe econômica do governo lançou um pacote de medidas para apoiar as empresas exportadoras. Apesar da publicação de uma medida provisória, a maior parte das ações ainda não está em vigor, pois depende de votação no Congresso ou de regulamentação específica.
PIB industrial e indústria de transformação em queda
Com a expectativa de exportações menores e juros ainda elevados, a CNI revisou para baixo o crescimento do PIB industrial para 2025, de 2% para 1,7%. Já a previsão para a indústria de transformação caiu de 1,9% para 1,5%. O setor industrial tem apresentado demanda inferior à do ano passado, impactando produção e faturamento nos últimos meses. A entidade atribui esse cenário à combinação de juros altos, aumento das importações e provável queda das exportações devido à nova política comercial dos EUA.
O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, destacou preocupação com a desaceleração da indústria de transformação, mesmo diante de iniciativas como o programa Nova Indústria Brasil e o Programa de Depreciação Acelerada. Segundo ele, “o crescimento da indústria de transformação deve cair muito em comparação ao ano passado”. Telles atribui a queda principalmente à taxa de juros elevada e ao aumento das importações, fatores agravados pela política comercial americana.
O cenário exige atenção do governo e do setor produtivo, que aguardam a efetivação das medidas de apoio anunciadas. O desempenho das exportações brasileiras em 2025 dependerá, em grande parte, da resposta do Congresso e do ambiente internacional, especialmente das relações comerciais com os Estados Unidos.