Gilberto Kassab defendeu nesta quinta-feira (14) a discussão sobre anistia para Jair Bolsonaro, abordando tanto a possibilidade de evitar prisão quanto a inelegibilidade do ex-presidente.
Em entrevista à GloboNews, Kassab afirmou que debater o tema não é “aberração” e destacou que a proposta pode ser ajustada no Congresso Nacional.
O presidente do PSD também anunciou que o partido terá candidatura própria à presidência em 2026, com dois nomes cotados.
Discussão sobre anistia e inelegibilidade
Durante entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, Gilberto Kassab declarou que analisar o envolvimento de Jair Bolsonaro nos processos judiciais não é errado. Segundo ele, é possível considerar anistia tanto em relação à prisão quanto à inelegibilidade do ex-presidente. Kassab questionou: “Ou por que não também discutir a questão da elegibilidade?”
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), em processo relacionado à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, e não ao inquérito sobre tentativa de golpe de Estado.
Kassab afirmou que debater anistia para quem tentou um golpe de Estado “não é aberração” e defendeu que o tema seja tratado com cautela e de forma modular no Congresso Nacional. Ele se posicionou contra uma anistia ampla, geral e irrestrita, considerando que não seria positiva para o Brasil neste momento.
O presidente do PSD ressaltou que, mesmo defendendo o debate, não é adequado impor condições pessoais ao início da discussão no parlamento.
PSD e eleições de 2026
Kassab revelou que já comunicou ao presidente Lula (PT) a intenção do PSD de lançar candidatura própria à presidência em 2026. O partido, atualmente parte da base aliada do governo federal, comanda três ministérios.
Os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) são os pré-candidatos cotados. O partido pretende consolidar um dos dois nomes para a disputa presidencial.
Kassab, além de presidente do PSD, é Secretário Estadual de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), e já declarou apoio ao projeto político de Tarcísio para 2026.
Repercussão no Congresso
No dia 6 de agosto, deputados e senadores aliados a Jair Bolsonaro ocuparam o plenário das duas casas em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente. O motim foi desmobilizado no Senado, mas exigiu negociação na Câmara dos Deputados. Após o episódio, Hugo Motta, presidente da Casa, prometeu punir parte dos envolvidos.
Quatorze casos de deputados foram enviados à Corregedoria da Câmara, seguindo rito ordinário e sumário para análise das representações e possíveis suspensões cautelares de mandato.