Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, e Marcelo Câmara, ex-assessor do ex-presidente, participam nesta quarta-feira (13) de uma acareação no Supremo Tribunal Federal (STF).
O procedimento foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado e envolve Câmara e outros cinco réus.
A acareação atende a pedido da defesa de Câmara e busca esclarecer divergências em depoimentos sobre o envolvimento dos acusados em ações antidemocráticas.
O papel dos réus e o núcleo de gerenciamento de ações
Marcelo Câmara é acusado de integrar o chamado “núcleo de gerenciamento de ações” da tentativa de golpe de Estado. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os integrantes deste núcleo coordenaram ações golpistas, incluindo o uso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para dificultar o voto de eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, a elaboração de uma minuta de decreto golpista e o planejamento de assassinatos de autoridades.
Além de Câmara, também são réus na ação penal Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da PRF; Marília Ferreira de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça; Fernando de Sousa Oliveira, delegado da Polícia Federal; Mário Fernandes, general da reserva e ex-número dois da Secretaria-Geral da Presidência; e Filipe Garcia Martins Pereira, ex-assessor especial de Assuntos Internacionais de Bolsonaro.
Acareação para esclarecer contradições
A acareação foi solicitada pela defesa de Câmara para esclarecer três pontos principais: a suposta manipulação de minutas golpistas por Câmara, o monitoramento contínuo do ministro Alexandre de Moraes e da chapa Lula-Alckmin, e o conhecimento de Câmara sobre os motivos desse monitoramento, além de sua ligação com Rafael Martins de Oliveira.
O procedimento, previsto na legislação penal, coloca réus e testemunhas frente a frente para elucidar fatos controversos. Câmara, atualmente preso, participará presencialmente, usando tornozeleira eletrônica e sem contato com terceiros além de seu advogado.
Histórico de acareações e colaboração
Mauro Cid já participou de outra acareação no Supremo em junho, no âmbito do processo do chamado “núcleo crucial”, também relacionado à tentativa de golpe. Na ocasião, ele foi confrontado com o general Walter Souza Braga Netto, ex-candidato a vice-presidente na chapa do PL em 2022, que o chamou de mentiroso durante o procedimento.
Além de réu, Cid firmou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal em 2023, tornando-se colaborador das investigações sobre a organização criminosa que buscou a ruptura democrática.
A acareação desta quarta-feira é considerada etapa fundamental para esclarecer divergências e avançar na responsabilização dos envolvidos nos supostos atos golpistas.