Mauro Cid e Walter Braga Netto participaram de acareação no Supremo Tribunal Federal na manhã desta terça-feira (24), sob condução do ministro Alexandre de Moraes. O procedimento, que durou cerca de 1h50, visa esclarecer contradições em depoimentos sobre a suposta organização criminosa investigada por tramar um golpe de Estado.
Ambos são réus no processo e a sessão ocorreu sem transmissão, conforme informado por advogados presentes. Braga Netto, preso em unidade militar no Rio, compareceu pessoalmente à audiência em Brasília, usando tornozeleira eletrônica.
Detalhes da audiência e participantes
A acareação reuniu o general Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid no STF, com a sessão presidida por Alexandre de Moraes, relator do caso. O ministro Luiz Fux também acompanhou a audiência. Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, possui acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal.
O procedimento, previsto na legislação penal, é utilizado quando há contradições em depoimentos, colocando frente a frente acusados ou testemunhas para esclarecimentos. Durante a sessão, os envolvidos responderam perguntas e puderam explicar pontos controversos, com registro escrito da audiência.
Logo após o término, Braga Netto retornou à prisão no Rio de Janeiro, sem contato com outras pessoas além do advogado durante o deslocamento. Em seguida, teve início a acareação entre Anderson Torres, ex-ministro, e o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército.
Motivações para as acareações
As audiências foram solicitadas pelas defesas de Anderson Torres e Braga Netto após o interrogatório dos réus, realizado entre 9 e 10 de junho. Os advogados de Torres alegaram ao ministro Alexandre de Moraes a necessidade de esclarecer divergências nas declarações de Freire Gomes, testemunha do processo.
Segundo as defesas, existiriam diferenças significativas entre os depoimentos do militar e do ex-ministro, especialmente em pontos considerados centrais para a ação. Já os advogados de Braga Netto buscavam abordar divergências entre as declarações do general e de Mauro Cid. Alexandre de Moraes autorizou as acareações na terça-feira (17).