Economia

Dólar sobe com mercado atento a plano do governo após tarifaço dos EUA e falas de Galípolo

Investidores aguardam medidas do governo Lula diante de sobretaxa dos EUA e acompanham cenário internacional e balanços de empresas

O dólar iniciou a segunda-feira (11) em alta de 0,9%, cotado a R$ 5,442, com investidores atentos ao plano do governo Lula após a taxação de 50% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros.

O mercado também acompanha as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os impactos do balanço da Petrobras no Ibovespa, além de movimentos internacionais envolvendo Trump e Putin.

Cenário econômico nacional

O mercado financeiro brasileiro começou a semana sob expectativa em relação ao anúncio do plano de contingência do governo Lula, previsto para até amanhã, após a imposição da tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. O dólar subiu 0,9% na abertura, enquanto o Ibovespa abriu às 10h.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, é observado de perto por investidores em busca de sinais sobre o próximo corte da Selic, especialmente em uma semana marcada pela divulgação do IPCA de julho. Antes disso, o Boletim Focus do Banco Central apontou redução da estimativa de inflação para este ano pela décima primeira semana seguida.

No acumulado, o dólar registra -1,96% na semana, -2,95% no mês e -12,04% no ano. Já o Ibovespa soma +2,62% na semana, +2,14% no mês e +12,99% no ano.

Impacto da Petrobras

O Ibovespa foi pressionado pelo balanço da Petrobras, que reportou lucro de R$ 26,7 bilhões no segundo trimestre. O pagamento de R$ 8,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio ficou abaixo do esperado pelo mercado, que previa cerca de R$ 12 bilhões. Ações da Petrobras caíram fortemente: PETR3 recuou 7,95% e PETR4, 6,15%.

Segundo a consultoria Elos Ayta, o valor de mercado da Petrobras caiu R$ 31,95 bilhões em relação ao fechamento anterior, agora totalizando R$ 410,24 bilhões. O maior valor do ano foi em 20 de fevereiro, com R$ 525,99 bilhões, e o recorde histórico ocorreu em 19 de fevereiro de 2024, com R$ 566,97 bilhões.

Desdobramentos internacionais e geopolítica

O tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, segue impactando a economia global. O presidente Lula conversou por telefone com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, sobre a sobretaxa e plataformas de pagamento digital. Lula busca ampliar mercados para produtos brasileiros na Índia e planeja visita ao país em 2026.

O governo brasileiro não espera acordo com os EUA no curto prazo, avaliando que Trump só negocia se houver vantagens políticas ou econômicas para os EUA. Uma possível revisão do tarifaço foi condicionada por Trump ao fim dos processos contra Jair Bolsonaro. Diante disso, Lula ordenou à equipe econômica a elaboração de uma lista de retaliações comerciais, incluindo possível quebra de patentes de medicamentos importados.

Mercados globais e reuniões de líderes

Internacionalmente, o mercado acompanha o encontro entre Trump e o presidente russo Vladimir Putin, o primeiro desde 2021. O governo russo descarta acordo diplomático imediato, mas Putin sinaliza disposição para negociar uma paz duradoura na Ucrânia.

Em Nova York, bolsas operavam em alta: Dow Jones (+0,28%), S&P 500 (+0,57%) e Nasdaq (+0,81%). A indicação de Stephen Miran para o Fed, em substituição a Adriana Kugler, também movimentou os mercados. Na Europa, Stoxx 600 (+0,25%) e CAC 40 (+0,44%) fecharam em alta, enquanto FTSE 100 (-0,06%) e DAX (-0,12%) recuaram. Na Ásia, apenas a Nikkei fechou em alta, após anúncio de acordo comercial entre EUA e Japão.

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