Economia

Trump recua em tarifas e adota estratégia de negociação calculada segundo economista

Economista britânico aponta que recuos de Trump em tarifas fazem parte de tática para obter vantagens e limitar danos à economia dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros no início de julho, mas recuou e isentou quase 700 itens. Segundo o economista britânico David Lubin, esse movimento faz parte de uma estratégia calculada de negociação. O recuo, apelidado de “amarelada”, busca limitar impactos negativos à economia americana e fortalecer aliados políticos.

Estratégia de negociação e impacto econômico

Após ameaçar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, Donald Trump recuou e ofereceu isenções para quase 700 itens, incluindo aeronaves, suco de laranja, ferro e petróleo. Segundo o economista britânico David Lubin, pesquisador do Chatham House, essa postura faz parte da chamada “teoria do Taco”, em que Trump faz ameaças grandiosas para forçar concessões em negociações.

Lubin afirma que o recuo visa evitar danos à economia dos EUA, já que tarifas elevadas poderiam aumentar preços e reduzir a oferta de insumos essenciais. “Claramente pode-se dizer que houve uma espécie de ‘amarelada’, porque as isenções pretendem limitar os danos econômicos que essas tarifas causam à economia americana”, explica Lubin.

Além do Brasil, Trump utilizou a mesma estratégia com países como Japão, União Europeia e China, buscando acordos que resultaram em tarifas menores, mas ainda superiores às anteriores. O economista destaca que a política tarifária de Trump serve também para expressar insatisfação contra governos de esquerda, como o de Luiz Inácio Lula da Silva.

Repercussão política e projeções

Lubin avalia que, ao impor tarifas e sancionar figuras como Alexandre de Moraes, Trump busca apoiar aliados políticos como Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo que limita os efeitos negativos para consumidores americanos. O economista ressalta que, embora a política tarifária possa beneficiar Lula politicamente no Brasil, Trump parece disposto a arcar com esse custo para expressar sua oposição ao governo brasileiro.

Em relação aos acordos com outros países, Lubin observa que algumas promessas feitas por Trump, como no caso da União Europeia, são difíceis de serem cumpridas integralmente. Apesar disso, as tarifas já aumentaram a receita do governo americano e podem reduzir déficits comerciais bilaterais, mesmo que o impacto no déficit total dos EUA seja limitado.

Sobre a negociação com a China, Lubin destaca que a resposta firme do país asiático levou Trump a moderar sua postura, mostrando que a estratégia do “Taco” é recorrente. O economista acredita que, para o Brasil, a melhor resposta seria evitar retaliações, já que Trump tende a intensificar antagonismos.

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