O Banco Central anunciou que o Pix oferecerá crédito consignado para empreendedores, com desconto direto na conta digital. A novidade, prevista para 2026, visa facilitar o acesso a empréstimos para micro e pequenos empresários, com taxas de juros menores e pagamento automático das parcelas.
A medida busca ampliar o crédito para trabalhadores autônomos e negócios de pequeno porte, conectando os recebíveis futuros do Pix como garantia.
Como funcionará o crédito consignado via Pix
A nova modalidade permitirá que micro e pequenos empresários contratem empréstimos junto a instituições financeiras parceiras do Pix. O valor das parcelas será descontado automaticamente das receitas recebidas via Pix, reduzindo o risco de inadimplência e facilitando o controle financeiro dos empreendedores.
O chamado “Pix em Garantia” permitirá que trabalhadores autônomos e microempreendedores individuais utilizem recebíveis futuros como garantia para empréstimos. Assim, as transferências a receber ficam conectadas ao empréstimo, e os valores são retirados da conta no dia combinado, tornando o processo semelhante ao crédito consignado tradicional.
Segundo o Banco Central, a expectativa é que as taxas de juros sejam menores devido à garantia dos recebíveis, beneficiando especialmente quem enfrenta dificuldades para acessar crédito bancário tradicional.
Novas funcionalidades e investigações
Evolução do Pix
O Pix vem recebendo inovações constantes. Em outubro passado, foi lançado o Pix Agendado Recorrente, permitindo agendamento de pagamentos mensais. Em fevereiro, bancos começaram a oferecer o Pix por aproximação. Já em junho, foi lançado o Pix Automático, para pagamentos recorrentes como contas de energia e mensalidades.
O Banco Central também trabalha no desenvolvimento do Pix Internacional, já aceito parcialmente em países como Argentina, Estados Unidos e Portugal. Outra novidade prevista para setembro é o Pix Parcelado, que permitirá o parcelamento de compras mesmo para quem não possui cartão de crédito.
Investigação dos EUA
O Pix está sendo investigado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que questiona práticas do Brasil em serviços de pagamento eletrônico. O governo americano aponta possível favorecimento a serviços desenvolvidos pelo governo brasileiro. Especialistas afirmam que a ofensiva pode estar ligada à concorrência com big techs e bandeiras de cartões americanas, mas não veem razões consistentes para contestação.
O ministro Fernando Haddad declarou que o Brasil não cogita privatizar o Pix, afirmando que mudanças significariam ceder a pressões internacionais.