O vice-secretário do Departamento de Estado americano, Christopher Landau, afirmou em rede social que “um único juiz do Supremo Tribunal Federal usurpou o poder” no Brasil. Sem citar nomes, a declaração faz referência ao ministro Alexandre de Moraes. As críticas se intensificaram após sanções e manifestações públicas de autoridades dos EUA contra Moraes e o processo envolvendo Jair Bolsonaro.
As declarações de Landau e de outros representantes americanos ampliam a tensão diplomática entre os países, com respostas do governo brasileiro e manifestações da Embaixada dos EUA.
Críticas de Landau e escalada diplomática
O vice-secretário do Departamento de Estado americano, Christopher Landau, publicou em rede social que a separação de poderes é uma “garantia de liberdade” e sugeriu que essa divisão está ameaçada no Brasil. Ele afirmou que “um único juiz não eleito assumiu o controle do destino de sua nação” e questionou se há precedentes históricos semelhantes. Landau também declarou que o crime de Jair Bolsonaro teria sido criticar o ministro Alexandre de Moraes, que, segundo ele, “arrasta o Brasil para uma ditadura judicial”.
Na publicação, Landau ressaltou: “Nos encontramos em um beco sem saída, onde o usurpador se esconde atrás do Estado de Direito e os outros poderes insistem que são impotentes para agir”. Ele encerrou dizendo: “Queremos retornar à nossa amizade histórica com a grande nação do Brasil”.
Repercussão e novas manifestações
Nesta quinta-feira (7), a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil compartilhou mensagem criticando Alexandre de Moraes e ameaçando seus aliados. O post faz parte de uma série de manifestações de autoridades americanas, que vêm se intensificando desde 14 de julho, com sanções e críticas públicas ao ministro e ao processo contra Bolsonaro.
Sanções, tarifas e reações do governo brasileiro
Desde o mês passado, autoridades americanas impuseram sanções a ministros do STF com base na Lei Magnitsky, em resposta ao processo envolvendo Jair Bolsonaro. Em carta ao presidente Lula, Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e classificou o processo contra Bolsonaro como “caça às bruxas”, exigindo sua interrupção imediata.
O subsecretário de Diplomacia Pública dos EUA, Darren Beattie, também publicou críticas, afirmando que Moraes seria o “principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores” e que suas ações resultaram nas sanções determinadas por Trump.
O ministro Flávio Dino rebateu as críticas, defendendo a soberania nacional e afirmando que não cabe a embaixadas estrangeiras monitorar ou avisar sobre a atuação de magistrados do Supremo Tribunal Federal.