A ministra Gleisi Hoffmann rebateu nesta terça-feira (4) as críticas feitas pelos presidentes do União Brasil e Progressistas (PP) ao discurso do presidente Lula sobre o aumento de tarifas dos Estados Unidos.
Em nota conjunta, os partidos demonstraram preocupação com as declarações de Lula em evento do PT. Gleisi, nas redes sociais, questionou a postura dos dirigentes e pediu que definam de que lado estão.
Troca de críticas entre governo e federação partidária
O embate teve início após o União Brasil e o PP, que formam uma federação, divulgarem nota conjunta nesta terça-feira (4) manifestando “profunda preocupação” com as falas de Lula durante encontro do PT em Brasília no domingo (2). No evento, Lula acusou os Estados Unidos de envolvimento em tentativas de golpe no Brasil e defendeu a substituição do dólar em transações comerciais internacionais.
Nas redes sociais, Gleisi Hoffmann classificou como “espantoso” o fato dos dirigentes partidários não se manifestarem sobre “a conspiração contra nossa soberania nem sobre os parlamentares que a apoiam, principalmente o deputado filho de Jair Bolsonaro que está nos EUA agindo contra o Brasil”. Ela afirmou: “Precisam dizer de que lado estão: dos interesses do Brasil ou dos interesses de Bolsonaro”.
Em resposta ao g1, Ciro Nogueira, presidente do PP, afirmou: “A postagem da ministra apenas confirma que o governo Lula decidiu subir no palanque ao invés de fazer diplomacia. Quando não atacam o presidente dos Estados Unidos ou o dólar, miram nos presidentes de partido. Nossa posição é clara: Lula só ganha a guerra contra os EUA no grito. No mundo real, os brasileiros só têm a perder com a condução irresponsável desse tema delicado e com provocações desnecessárias.”
Relação dos partidos com o governo
A tensão ocorre em um momento em que União Brasil e PP integram a base aliada e ocupam ministérios no governo Lula. O União Brasil comanda as pastas de Turismo, Integração Nacional e Comunicações, enquanto o PP está à frente do Ministério do Esporte.
Na semana passada, Lula convocou os ministros Celso Sabino (Turismo), Frederico Siqueira (Comunicações) e Waldez Góes (Integração Nacional) para uma reunião no Palácio do Planalto, questionando se desejam permanecer no governo diante das críticas das lideranças partidárias. Os três ministros asseguraram ao presidente que pretendem seguir nos cargos e não compartilham do tom crítico dos dirigentes de suas legendas.