O presidente Lula cobrou nesta terça-feira (26) que ministros indicados pelo União Brasil e PP se posicionem e defendam o governo. A exigência ocorreu em reunião ministerial no Palácio do Planalto, em meio à aproximação dos partidos com a oposição.
Lula afirmou que ministros que não defendem a gestão não devem permanecer no governo, direcionando o recado aos quatro ministros das legendas. O presidente também criticou publicamente lideranças do União Brasil e PP.
Pressão sobre ministros em meio à federação partidária
Durante a reunião ministerial, Lula foi enfático ao cobrar posicionamento dos ministros do União Brasil e PP, partidos que recentemente formaram a federação União Progressista e têm se aproximado da oposição. Segundo três auxiliares presentes, o presidente afirmou que membros do governo que não defendem a administração não podem continuar em seus cargos.
O recado foi dado num contexto de críticas públicas feitas por Antonio Rueda, presidente do União Brasil, e Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro de Jair Bolsonaro. Lula mencionou que não gosta de Rueda, assim como o dirigente não gosta do governo, e se mostrou incomodado com a presença de ministros dos dois partidos em eventos organizados pela oposição, como o anúncio da federação partidária.
Lula também afirmou que o Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, terá que decidir se apoia a candidatura de Tarcísio ou o governo federal em 2026. O presidente disse acreditar que Tarcísio será o candidato da oposição na próxima eleição presidencial.
Repercussão e bastidores da cobrança
Não é a primeira vez que Lula pressiona ministros do União Brasil. No mês anterior, ele já havia questionado, em encontro no Planalto, se os ministros desejavam permanecer no governo. Na ocasião, os ministros afirmaram que não pretendem sair e discordam das críticas dos dirigentes partidários.
Desta vez, a cobrança foi feita diante de todo o ministério, gerando constrangimento e sendo interpretada como um alerta geral. Os presidentes do PP e União Brasil defendem o lançamento de uma candidatura de centro-direita em 2026. O União tem como pré-candidato o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, enquanto Ciro Nogueira apoia uma articulação em torno de Tarcísio de Freitas.
Tarcísio participou da cerimônia de criação da federação União Progressista, celebrando o avanço para discutir temas relevantes no país. Na reunião, Lula também criticou Ciro Nogueira, dizendo que ele se aliou à oposição por não ter votos para se eleger no Piauí.