Tecnologia

Data centers de IA no Brasil podem consumir energia equivalente a 16 milhões de casas

Projetos em cinco cidades brasileiras levantam debate sobre impactos ambientais e uso intensivo de recursos

Estudos apontam que os primeiros data centers de inteligência artificial no Brasil podem consumir energia comparável à de 16 milhões de residências. Projetos já foram anunciados em cidades como Rio de Janeiro, Eldorado do Sul, Maringá, Uberlândia e Caucaia. Especialistas alertam para a falta de transparência sobre impactos ambientais e consumo de água.

Impacto ambiental e consumo de recursos

O funcionamento de data centers de IA demanda equipamentos potentes, que geram calor intenso e exigem sistemas de refrigeração, frequentemente abastecidos por água. Segundo um estudo da Universidade da Califórnia, em Riverside, treinar modelos como o GPT-3 pode evaporar até 700 mil litros de água. Além disso, o uso cotidiano por milhões de usuários potencializa o impacto, mesmo que cada interação individual consuma pouca água.

Shaolei Ren, professor e coautor do estudo, questiona se os benefícios sociais da IA compensam seus impactos negativos. “Queremos garantir que o benefício que isso traz supere o lado negativo”, afirma.

Especialistas ressaltam que, apesar do consumo real ser menor que o máximo projetado, a ausência de dados públicos dificulta a avaliação dos efeitos ambientais dos novos centros.

Principais projetos anunciados

Rio de Janeiro (RJ) – Rio AI City

A Elea Data Centers planeja quatro unidades de IA no complexo Rio AI City, em Jacarepaguá, com potência inicial de 1.500 megawatts, podendo chegar a 3.200 megawatts. Isso equivale ao consumo diário de até 6 milhões de casas. O projeto inclui centros de pesquisa e startups, e conta com apoio da prefeitura.

Eldorado do Sul (RS) – Scala AI City

O Scala AI City terá bairros de servidores e potência inicial de 1.800 megawatts, podendo alcançar 5.000 megawatts até 2033, equivalente ao uso de 7,2 milhões de residências. O sistema de refrigeração usará óleo em circuito fechado para reduzir o consumo de água. O município aprovou incentivos fiscais para atrair o setor.

Maringá (PR) e Uberlândia (MG) – RT-One

A RT-One propõe data centers de 400 megawatts em cada cidade, consumo similar ao de 1,6 milhão de casas por local. Em Maringá, há planos para utilizar água do Aquífero Guarani em sistema de resfriamento de baixo impacto ambiental, segundo a empresa.

Caucaia (CE) – Casa dos Ventos

Com potência inicial de 300 megawatts, podendo chegar a 576 megawatts, o centro pode atender até 1,2 milhão de casas. O investimento supera R$ 50 bilhões e a operação está prevista para 2027. O local pode ser utilizado pela ByteDance, dona do TikTok.

Desafios e projeções

O consumo máximo diário foi calculado com base no consumo médio residencial brasileiro (6 kWh/dia em março de 2025). Eduardo Fagundes, especialista em IA, explica que o uso real tende a ser menor, pois cada servidor consome menos que o limite teórico. Elaine Santos, pesquisadora do LNEG, destaca a necessidade de estudos aprofundados para mensurar o real impacto de cada empreendimento.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Cientistas estimam impacto do consumo de água por data centers no Brasil

Projeto Rio AI City prevê US$ 65 bilhões em data centers e mira liderança global em IA até 2032

Perguntas para inteligência artificial elevam consumo de água potável em data centers

Data center de US$ 1,2 bi para IA chega ao interior de SP em 18 meses

Data centers de IA no Brasil terão consumo de energia e água equivalentes a cidades inteiras

Google vai repor mais água do que consome em data centers de IA até 2030