Eduardo Bolsonaro e familiares concentram esforços para que Senado e Câmara articulem anistia para Jair Bolsonaro. A estratégia inclui pressionar o presidente da Câmara, Hugo Motta, e negociar com o STF para evitar que a medida seja considerada inconstitucional.
Na semana passada, Eduardo ameaçou Motta e o presidente do Senado, David Alcolumbre, sugerindo possíveis sanções dos EUA caso não avancem projetos de anistia e pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Sem alternativas jurídicas para Jair Bolsonaro, a família do ex-presidente direciona sua atuação para pressionar o Congresso Nacional na tentativa de aprovar uma anistia. O foco recai sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta, que, segundo a estratégia dos Bolsonaro, estaria relutante em apoiar a medida por receio de confronto com o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Além da articulação no Legislativo, o grupo busca negociar com o Supremo Tribunal Federal para evitar que a anistia seja declarada inconstitucional. Interlocutores de Motta avaliam que ele está ciente das ameaças e consideram que a família Bolsonaro está desconectada da realidade política atual do Congresso.
Investigadores e autoridades afirmam que a escalada dos ataques e pressões agrava a situação jurídica de Jair Bolsonaro e de Eduardo Bolsonaro, indicando que já existe material suficiente para indiciamento. Isso amplia os riscos para o ex-presidente, que pode responder não apenas pela suposta trama golpista, mas também por tentativa de obstrução de Justiça.
No auge da crise entre Motta e o governo, no fim de junho, havia um ambiente favorável à aprovação de um projeto intermediário de anistia no início de agosto. Entretanto, após julho marcado por sanções e ataques à soberania brasileira articulados pela família Bolsonaro junto aos EUA, as chances de aprovação diminuíram consideravelmente.
Na semana passada, Eduardo Bolsonaro chegou a ameaçar o presidente da Câmara e o do Senado com possíveis sanções do governo dos Estados Unidos, caso não pautassem projetos de anistia e pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Sanções dos EUA e repercussão internacional
O contexto internacional também influencia o cenário: os EUA sancionaram Alexandre de Moraes com base na lei Magnitsky, ferramenta utilizada para punir estrangeiros. Esse movimento adiciona mais tensão à já delicada relação entre os poderes no Brasil e amplia a pressão sobre o Congresso.