Lula está disposto a conversar com Donald Trump sobre o tarifaço dos EUA, desde que o presidente americano atenda pessoalmente. A iniciativa surge após proposta de senadores brasileiros, mas o Planalto relata dificuldades em estabelecer contato direto com a Casa Branca.
O clima é de pessimismo no governo brasileiro, que avalia que negociações só devem avançar após a entrada em vigor das tarifas, prevista para 1º de agosto.
Diálogo e entraves diplomáticos
Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que, apesar da disposição de Lula para dialogar, a comunicação com o governo Trump está obstruída. Tentativas de contato com o Departamento de Comércio, o Tesouro e outros setores não resultaram em avanços. O Planalto acredita que a Casa Branca só abrirá negociações após a implementação das tarifas, buscando maior poder de barganha.
Fontes do governo brasileiro destacam que o país permanece aberto ao diálogo, mas impõe limites, como afirmou um interlocutor direto de Lula: “A soberania não é negociável”. O governo rejeita qualquer interferência em decisões do Supremo Tribunal Federal ou no sistema Pix. Segundo integrantes do Planalto, há desconforto nos EUA com o Pix, que estaria afetando a rentabilidade de empresas americanas.
Tarifaço dos EUA e resposta brasileira
Em 9 de julho, Trump enviou carta a Lula anunciando tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, citando razões políticas e comerciais. Em 23 de julho, Trump afirmou que as tarifas visam pressionar países com relações “não boas” com os EUA a abrirem seus mercados. O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, confirmou que as tarifas entram em vigor em 1º de agosto, sem prorrogação.
Reações e impactos econômicos
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está nos EUA e pode ir a Washington caso haja interesse americano em negociar alternativas ao tarifaço. Oficialmente, Vieira cumpre agenda na ONU, mas sinalizou que só seguirá para Washington se houver abertura para o diálogo.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estima que cerca de 10 mil empresas brasileiras exportadoras serão afetadas, empregando aproximadamente 3,2 milhões de pessoas. O vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou que empresas norte-americanas com operações no Brasil, como General Motors, Johnson & Johnson e Caterpillar, também sofrerão prejuízos. Alckmin destacou a importância da união entre empresas brasileiras e americanas para buscar uma solução.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que a equipe econômica está preparando um plano de contingência para apoiar setores impactados. “Não vamos deixar ao desalento os trabalhadores brasileiros, vamos tomar medidas necessárias”, afirmou Haddad.