O Brasil intensifica esforços para adiar ou reverter o tarifaço dos Estados Unidos, previsto para entrar em vigor em 1º de agosto. O governo busca excluir alimentos e a Embraer do aumento, enquanto empresários aconselham evitar retaliação. O presidente Lula articula medidas de contingência para empresas afetadas.
Negociações e estratégias do governo
O governo brasileiro, nesta reta final antes do prazo de sexta-feira (1º de agosto), concentra suas negociações para tentar adiar ou reverter totalmente o tarifaço americano. Segundo assessores, o foco imediato é o adiamento da medida. Caso não seja possível evitar o aumento das tarifas, a estratégia passa a ser excluir setores como alimentos e a Embraer das novas alíquotas, buscando atenuar os impactos negativos sobre a economia nacional.
Recentemente, o Brasil conseguiu retomar conversas com autoridades americanas, gerando expectativas de avanços nas tratativas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já prepara um plano de contingência para apoiar empresas que possam ser prejudicadas, caso as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros realmente sejam implementadas. No entanto, as medidas só serão divulgadas após a confirmação do tarifaço e detalhamento do alcance pelas autoridades dos EUA. “Não dá para sair reagindo ao que não conhecemos direito”, afirmou um técnico da equipe econômica.
Repercussão entre empresários e postura internacional
Empresários brasileiros e americanos, reunidos com senadores em Washington, recomendaram que o Brasil evite retaliar os Estados Unidos, temendo que uma resposta possa levar o presidente Donald Trump a ampliar ainda mais as tarifas e adotar novas medidas restritivas. Empresas americanas, que também seriam prejudicadas pelo aumento nas tarifas de importação de produtos como ferro gusa, laranja e café, pressionam o governo Trump para reconsiderar ou adiar a decisão.
Durante reunião nesta segunda-feira (28), os senadores brasileiros ouviram dos empresários que a retaliação poderia agravar ainda mais a guerra comercial. O presidente Lula, por sua vez, mudou o tom e fez um apelo direto para que Trump retome o diálogo: “Eu espero que o presidente dos EUA reflita a importância do Brasil e resolva fazer aquilo que no mundo civilizado a gente faz. Tem divergência? Senta numa mesa, coloca a divergência do lado e vamos tentar resolver”, disse Lula, criticando decisões unilaterais.
Lula avaliou com sua equipe a possibilidade de ligar diretamente para Trump, mas a decisão depende de uma sinalização positiva do presidente americano e de preparação prévia pelos diplomatas, evitando improvisos em um contato de alto nível.