Diplomatas brasileiros defendem que um eventual telefonema entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva seja previamente acordado entre representantes do Palácio do Planalto e da Casa Branca.
A medida visa evitar improvisos e possíveis situações constrangedoras, como as ocorridas com Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, e Cyril Ramaphosa, da África do Sul.
A discussão ganhou força após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo Trump e diante de negociações comerciais em andamento.
Preocupações diplomáticas e negociações em andamento
Diplomatas ouvidos pela Globonews destacam que um contato direto entre Lula e Trump deve ser cuidadosamente planejado para evitar que o ex-presidente dos EUA repita com Lula o comportamento tido em conversas recentes com outros líderes mundiais. O temor é que, sem um roteiro prévio, Trump possa agir de maneira “imprevisível”, como relatado por auxiliares do Palácio do Planalto.
A possibilidade de um telefonema foi levantada por integrantes da comitiva de senadores brasileiros que está em Washington buscando apoio de parlamentares e empresários americanos. Segundo um membro do alto escalão do Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Nova York e já sinalizou a autoridades americanas que, caso um representante do governo Trump aceite recebê-lo, ele irá a Washington para negociar as tarifas.
No contexto das negociações, o Brasil já participou de cerca de dez rodadas de conversas com autoridades dos Estados Unidos, mas ainda não houve consenso sobre as tarifas impostas.
Brasil aceita negociar tarifas, mas rejeita discutir soberania
Desde o anúncio da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo Trump, Lula e membros do governo têm reforçado que o Brasil está disposto a negociar questões comerciais, mas não aceita discutir temas relacionados à soberania nacional.
Em uma carta enviada a Lula, Trump mencionou a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal por crimes como tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) afirmou: “O governo brasileiro, por orientação do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vem buscando negociação com base em diálogo, sem qualquer contaminação política ou ideológica”. O órgão reiterou ainda que “a soberania do Brasil e o estado democrático de direito são inegociáveis”, mas que o governo segue aberto ao debate de questões comerciais.