Gleisi Hoffmann, ministra-chefe das Relações Institucionais, defendeu nesta terça-feira (29) a cassação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), acusando-o de traição e de não ter direito ao mandato parlamentar.
Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, reside nos Estados Unidos desde fevereiro e voltou a exercer o mandato após licença, apesar de viver fora do país.
A ministra também criticou ameaças do governo dos EUA ao Brasil e afirmou que o país está aberto ao diálogo comercial, mas não aceita ingerências externas.
Declarações e contexto do afastamento
Em entrevista no Palácio do Itamaraty, Gleisi Hoffmann chamou Eduardo Bolsonaro de “traíra” e afirmou que o parlamentar “não tem o direito de continuar deputado pelo Brasil”. Eduardo, que pediu afastamento do mandato em março ao se mudar para os Estados Unidos, retomou suas funções mesmo residindo no exterior. Pelas normas da Câmara, se não registrar presença em sessões deliberativas, pode perder o mandato por baixa frequência.
O deputado tem dito a aliados que não renunciará. Em transmissões e publicações nas redes sociais, Eduardo afirmou que Donald Trump só recuará das tarifas aos produtos brasileiros se houver perdão aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. “Soltem os presos políticos (anistia ampla, geral e irrestrita) que isso [tarifas] começa a acabar. Simples”, escreveu.
Eduardo admitiu ter participado de reuniões antes do anúncio das sobretaxas e sinalizou possíveis penalizações aos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. Aliados desses parlamentares viram as declarações como ameaças e tentativa de pressionar o Congresso pela pauta da anistia.
Reação do governo e críticas aos EUA
Gleisi defendeu Motta e Alcolumbre, dizendo que as ações de Eduardo indicam “conspiração” com agentes do governo americano. Ela afirmou que conversaria com os presidentes das Casas sobre o tema nos próximos dias.
No evento com representantes da sociedade civil do Brasil e União Europeia, a ministra criticou o tarifaço de Trump e disse que o Brasil está “sendo ameaçado” por medidas comerciais unilaterais dos EUA, consideradas por ela como “política explícita e igualmente injustificável”.
Gleisi ressaltou que o Brasil nunca se recusou a negociar em termos justos, mas não aceita ingerência externa em decisões do Judiciário ou Congresso. Ela afirmou que o país está aberto ao diálogo comercial, mas não recebeu retorno oficial dos EUA, e que Lula está disposto a conversar com Trump, desde que haja preparação e disposição para o diálogo.
O posicionamento de Gleisi Hoffmann ocorre em meio a tensões diplomáticas e políticas envolvendo o Brasil e os Estados Unidos. As declarações de Eduardo Bolsonaro, que sugerem troca de anistia por alívio nas tarifas, foram vistas como tentativa de pressionar autoridades brasileiras e influenciar decisões do Congresso.
O episódio também reacende o debate sobre a permanência de parlamentares no exterior e os limites do exercício do mandato à distância. O caso de Eduardo pode abrir precedentes para discussões sobre frequência e presença física de deputados federais.
Internamente, a defesa de Gleisi por Motta e Alcolumbre reforça a unidade do governo diante de pressões externas e internas. A ministra destacou a importância de proteger a soberania das instituições brasileiras contra interferências estrangeiras, especialmente em temas sensíveis como decisões judiciais e legislativas.
O desfecho da situação de Eduardo Bolsonaro dependerá de sua conduta nas próximas semanas e da resposta da Câmara dos Deputados diante das ausências e das possíveis infrações regimentais.