O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, declarou nesta terça-feira (29) que produtos não cultivados no país, como café, manga, abacaxi e cacau, podem ter tarifa zerada.
A afirmação acontece quatro dias antes da entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. Lutnick não mencionou países exportadores específicos, como o Brasil.
O Brasil é o principal fornecedor de café para os EUA, detendo cerca de um terço do mercado norte-americano.
Negociações internacionais e possíveis exceções
A declaração de Howard Lutnick foi feita enquanto ele comentava sobre as negociações entre Estados Unidos e União Europeia, que fecharam um acordo sobre tarifas no último domingo (27). Lutnick citou a possibilidade de zerar tarifas para produtos como cortiça, importada da União Europeia, e afirmou que continuará negociando outros pontos com a Comissão Europeia, incluindo tarifas para aço, alumínio e regulamentação de serviços digitais.
Em relação à China, Lutnick observou que as negociações são mais complexas: “A China é algo próprio, temos nossa equipe trabalhando eles”, afirmou. O secretário também declarou que, quanto aos demais países, o presidente Trump decidirá sobre eventuais acordos comerciais até sexta-feira (1º).
Impacto da tarifa no café brasileiro
Analistas consultados pelo g1 alertam que a imposição da tarifa de 50% pode inviabilizar o comércio de café entre Brasil e EUA. Os Estados Unidos produzem apenas 1% do café que consomem, enquanto o Brasil representa 40% da oferta mundial do produto. Entre janeiro e maio de 2025, os EUA compraram 17% de todo o café brasileiro exportado.
Segundo Fernando Maximiliano, analista da StoneX Brasil, o Brasil vende cerca de 8 milhões de sacas de café aos EUA anualmente. Outros grandes exportadores, como a Colômbia, não seriam capazes de suprir totalmente a demanda norte-americana, especialmente pelo tipo arábica, preferido nos EUA.
Maximiliano ressalta que, sem outro grande fornecedor de arábica, os Estados Unidos poderiam recorrer à importação de robusta ou alterar a composição do café vendido no mercado interno. No entanto, encontrar outro fornecedor de arábica em volume suficiente não seria tarefa fácil, segundo o especialista.
O cenário de tarifas elevadas pode forçar mudanças no perfil de consumo e na cadeia de suprimentos do café nos EUA, aumentando a pressão sobre outros países exportadores e sobre os próprios consumidores norte-americanos.
Lutnick reforçou que as decisões finais sobre acordos comerciais e possíveis exceções nas tarifas serão tomadas até o fim da semana, mantendo o setor exportador brasileiro em alerta para os próximos desdobramentos.