Economia

Trump anuncia tarifas globais entre 15 e 20 por cento e impõe taxa de 50 por cento ao Brasil

Brasil enfrenta tarifa mais alta que outros países enquanto EUA fecham acordo com União Europeia e intensificam negociações com China

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (28) que pretende aplicar tarifas globais de 15% a 20% para parceiros sem acordo comercial com Washington. Entretanto, o Brasil será submetido a uma taxa de 50%, mais que o dobro da média, a partir de 1º de agosto.

Trump descartou qualquer adiamento das medidas e anunciou acordo com a União Europeia, estabelecendo tarifa de 15% e investimento europeu de US$ 600 bilhões nos EUA.

Entenda o novo cenário de tarifas

O anúncio de Trump ocorre após um encontro com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, na Escócia, onde foi firmado um acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia. O pacto prevê tarifa de 15% sobre a maioria das exportações do bloco para os EUA, incluindo automóveis, e um compromisso de investimento europeu de US$ 600 bilhões no país norte-americano.

Enquanto isso, o Brasil foi excluído das negociações e enfrentará uma tarifa de 50%, valor significativamente superior ao imposto a outros parceiros comerciais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a falta de disposição de Trump para negociar com o Brasil. Especialistas apontam que os canais de comunicação entre os dois países estão travados, dificultando avanços.

Trump também comentou sobre a China, expressando desejo de abertura do mercado chinês para produtos americanos. Negociações entre autoridades econômicas dos EUA e da China foram retomadas em Estocolmo, buscando prorrogar a trégua tarifária por mais três meses, segundo a agência Reuters.

Além do acordo com a União Europeia, Trump anunciou tratados comerciais recentes com Reino Unido, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Japão. Com o Japão, o acordo prevê investimentos de US$ 550 bilhões e tarifas recíprocas de 15%.

Impactos para o Brasil e bastidores das negociações

O Brasil, ao ser ignorado nas negociações diretas com os EUA, enfrenta dificuldades adicionais devido ao viés geopolítico da política comercial americana sob Trump. Decisões tarifárias partem do alto escalão da Casa Branca, limitando a atuação de equipes técnicas e do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).

Analistas destacam que a disputa por influência com a China na América do Sul também pesa nas decisões dos EUA. Alberto Pfeifer, coordenador do Grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP, ressalta que interesses estratégicos, como o acesso a terras raras brasileiras, estão em jogo.

Segundo o Financial Times, o Brasil reforça sua aposta nos Brics para diversificar parcerias comerciais e reduzir a dependência de qualquer país específico. O assessor de Relações Exteriores de Lula afirmou ao jornal britânico que o país busca alternativas diante do cenário de isolamento nas negociações com os EUA.

Enquanto isso, o governo Trump prepara novas tarifas setoriais contra a China, abrangendo semicondutores e produtos farmacêuticos. Fontes do Departamento de Comércio americano indicam que restrições às exportações de tecnologia para a China foram suspensas para não prejudicar as negociações em andamento.

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