O coronel do Exército Marcio Nunes de Resende Júnior declarou nesta segunda-feira (28) que o “silêncio ensurdecedor” do Exército sobre o acampamento em frente ao Quartel General em Brasília abriu espaço para interpretações de apoio da corporação ao movimento.
Resende Júnior é réu no núcleo 3 da ação penal que apura tentativa de golpe de Estado promovida pela cúpula do ex-presidente Jair Bolsonaro. O acampamento surgiu após o segundo turno das eleições de 2022.
Depoimento do coronel e contexto do acampamento
Durante interrogatório realizado nesta segunda-feira (28), Marcio Nunes de Resende Júnior afirmou que a ausência de manifestações oficiais do Exército sobre o acampamento em frente ao Quartel General em Brasília gerou um “silêncio ensurdecedor”. Segundo o coronel, esse vácuo de comunicação permitiu que os manifestantes interpretassem que havia apoio da corporação à aglomeração.
“Houve um silêncio ensurdecedor por parte do Exército. Com aquele pessoal ali acampado na frente dos quartéis, esse vácuo ali, estavam deixando os manifestantes cada vez mais… toda hora lá gente discursando, parlamentares, a gente escutava”, relatou Resende Júnior. Ele acrescentou: “O Exército estava apoiando? Claro que não. Mas dava margem. Ia ser um barata-voa. Muita gente poderia aderir. Um informativo do Exército seria importante”.
O acampamento foi instalado após o segundo turno das eleições de 2022, reunindo pessoas que não aceitavam o resultado do pleito. O local ganhou notoriedade após os atos golpistas de 8 de janeiro, pois parte dos envolvidos estava acampada ali.
Desdobramentos e investigações
O acampamento foi desmontado em 9 de janeiro, um dia após os ataques à sede dos Três Poderes, resultando na prisão de cerca de 1.200 pessoas no local. Entre os acampados estava George Washington de Oliveira Sousa, de 54 anos, que, segundo depoimento, planejou um atentado explosivo próximo ao Aeroporto de Brasília com a ajuda de outros manifestantes do acampamento.
Durante o interrogatório, Resende Júnior negou ter articulado qualquer ação golpista, apesar de ter enviado mensagens com teor golpista em um grupo de WhatsApp. Ele afirmou: “Minhas mensagens não reverberaram, ficaram ideias soltas. Que se fosse para fazer algo, não ficaria ponta solta”. O militar também declarou que suas mensagens não influenciaram os eventos de 8 de janeiro: “Com ou sem essas mensagens, o que aconteceu no 8 de janeiro teria acontecido”.