Política

Ex-comandante da FAB relata ataques por recusar adesão a tentativa de golpe em 2023

Carlos de Almeida Baptista Junior detalha pressões e ataques sofridos ao depor à Polícia Federal sobre crise institucional

Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Força Aérea Brasileira, declarou à Polícia Federal que foi alvo de ataques por não apoiar a tentativa de golpe de Estado em 2023.

Em seu depoimento, Baptista Junior afirmou que enfrentou pressões internas e externas para aderir ao movimento golpista, mas manteve sua postura em defesa da Constituição.

O militar destacou que sua decisão de não participar do golpe gerou resistência em setores das Forças Armadas e ataques nas redes sociais.

Depoimento à Polícia Federal

Durante o depoimento, Carlos de Almeida Baptista Junior relatou que, enquanto esteve à frente da Força Aérea Brasileira (FAB), foi pressionado por diferentes grupos a apoiar ações que buscavam desestabilizar o governo eleito. Segundo ele, sua postura legalista e de respeito à democracia gerou resistência interna e externa, culminando em ataques direcionados a ele e ao general Freire Gomes, então comandante do Exército.

Baptista Junior foi ouvido como testemunha na ação penal contra o chamado núcleo 4 da organização criminosa golpista. Esse grupo, composto majoritariamente por militares, teria elaborado operações estratégicas de desinformação para descredibilizar o sistema eletrônico de votação, conforme denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Detalhes dos ataques e motivações

Questionado pela PGR sobre os ataques sofridos entre o final de 2022 e início de 2023, Baptista Junior afirmou não ter dúvidas de que o objetivo era forçá-lo a mudar sua postura. Ele declarou que tais ataques foram “infrutíferos”.

O depoimento integra as investigações conduzidas pela Polícia Federal para apurar os fatos relacionados à tentativa de golpe de Estado, que envolveu setores das Forças Armadas contrários à posse do presidente eleito.

Outros depoimentos e repercussão

Além de Baptista Junior, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, também prestou depoimento. Ele relatou ter sido pressionado por deputados do partido a questionar a credibilidade das urnas eletrônicas no Tribunal Superior Eleitoral. Segundo Valdemar, informações de dúvidas sobre as urnas foram vazadas a parlamentares, que pressionaram pela divulgação de um relatório crítico ao sistema de votação.

Os depoimentos das testemunhas não foram transmitidos pela TV Justiça, mas jornalistas acompanharam as audiências. Baptista Junior foi indicado como testemunha pela defesa de Aílton Barros, ex-militar do Exército acusado de coordenar ataques contra opositores do golpe.

Autoridades reforçam a importância do esclarecimento dos acontecimentos para garantir a estabilidade democrática no Brasil. As investigações seguem em andamento, buscando responsabilizar os envolvidos nas operações de desinformação e ataques a instituições.

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