Diplomatas brasileiros consideram que o recente interesse dos Estados Unidos nas terras raras do Brasil é apenas um “balão de ensaio”, sem proposta concreta ou respaldo oficial da Casa Branca.
O tema foi apresentado por Gabriel Escobar, número dois da embaixada americana, em encontro com o setor privado, reforçando o caráter informal da abordagem.
Enquanto isso, o governo Lula prepara a Política Nacional de Minerais Críticos para fortalecer a soberania sobre recursos estratégicos e atrair investimentos.
Interesse americano visto como sondagem
Nos bastidores, diplomatas do Itamaraty avaliam que o governo Trump busca testar a reação brasileira ao suposto interesse nas riquezas minerais, sem inserir oficialmente o tema nas negociações bilaterais. O fato de Gabriel Escobar, encarregado de negócios e número dois da embaixada dos EUA, ter apresentado o assunto ao Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e não diretamente ao governo, foi interpretado como sinal de informalidade.
Segundo integrantes do alto escalão do Itamaraty, “não condiz com as negociações reais” e, até o momento, não houve qualquer indicação da Casa Branca sobre abrir mão do tarifaço anunciado por Trump em troca de acesso aos minerais críticos brasileiros.
Um interlocutor do Ministério das Relações Exteriores destacou: “O Brasil tem outras 700 questões a resolver com os Estados Unidos antes de discutir terras raras. O que o Brasil quer saber é se os efetivos negociadores dos EUA estão dispostos a negociar”.
Contexto das terras raras e reservas brasileiras
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos essenciais para a fabricação de baterias, turbinas e equipamentos de alta tecnologia. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial, atrás apenas da China. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na quinta-feira (24), afirmou que “ninguém põe a mão” nos minerais brasileiros, em indireta ao governo Trump.
Política nacional para minerais críticos
O governo Lula prepara o lançamento da Política Nacional de Minerais Críticos, prevista para 2025, com o objetivo de fortalecer a soberania sobre recursos estratégicos e aumentar a autonomia do Brasil no cenário internacional.
Entre as diretrizes da política estão o fortalecimento do mapeamento geológico, apoio à pesquisa, inovação e processamento, parcerias com estados e municípios, além do estímulo à atração de investimentos privados.
Diplomatas ressaltam que o tarifaço imposto por Trump está mais relacionado a pressões das big techs e do sistema financeiro dos EUA do que a um interesse estratégico imediato nos minérios brasileiros. Fontes do Itamaraty reforçam que, por ora, não há tratativas oficiais sobre o tema, e a manifestação americana é vista como tentativa de sondagem.
A crescente demanda internacional por lítio, nióbio e terras raras impulsiona a elaboração da nova política, considerada fundamental para a transição energética e a segurança industrial do país.