O Equador deportou mais de 800 prisioneiros colombianos pela fronteira da província de Carchi, em operação iniciada na sexta-feira (25). A medida gerou protesto do governo colombiano, que alega falta de comunicação prévia e violação do direito internacional.
A governadora de Carchi, Diana Pozo, afirma que houve trabalho conjunto entre autoridades migratórias, mas representantes colombianos negam ter sido informados, dificultando o acolhimento dos deportados.
Deportação em massa e reações oficiais
Segundo fonte do governo da província de Carchi, que preferiu não se identificar, a deportação de cerca de 870 prisioneiros colombianos, representando quase 60% dos detidos dessa nacionalidade no Equador, teve início na sexta-feira (25). Os presos foram transferidos pela ponte fronteiriça de Rumichaca, nos arredores de Tulcán, sob forte vigilância policial e militar.
Durante a operação, detentos com uniformes laranja formaram filas para cruzar a fronteira, enquanto alguns, vestindo calções e camisetas, faziam exercícios para enfrentar o frio andino. “Queremos passar, queremos passar”, gritavam, aguardando a recepção pelas autoridades colombianas.
A governadora Diana Pozo declarou à imprensa que houve um trabalho interinstitucional com os órgãos de migração dos dois países para agilizar o processo e evitar colapso na ponte. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia divulgou nota de protesto diplomático, acusando o Equador de agir de maneira unilateral e violar o direito internacional.
Falta de comunicação e assistência emergencial
Apesar das declarações equatorianas sobre a comunicação prévia, autoridades colombianas afirmam que não foram notificadas sobre a deportação em massa. O secretário de Governo do município colombiano de Ipiales, Juan Morales, relatou que a ausência de aviso impediu a preparação de um plano de contingência adequado para receber os deportados.
“Tivemos que elaborá-lo na última hora para poder apoiar e oferecer assistência humanitária”, explicou Morales, destacando o improviso necessário para lidar com a chegada repentina dos ex-detentos.
O episódio intensifica as tensões diplomáticas entre os dois países e levanta questionamentos sobre o respeito a tratados internacionais e a coordenação entre autoridades fronteiriças em situações de deportação em larga escala.