Quinze imigrantes de origem peruana e equatoriana expulsos dos Estados Unidos desembarcaram na República Democrática do Congo na madrugada desta sexta-feira (17), tornando-se o primeiro grupo a chegar ao país africano sob um acordo polêmico firmado com Washington.
O voo pousou às 23h55 de quinta-feira no aeroporto de Ndjili, em Kinshasa, com sete mulheres e oito homens a bordo. O governo congolês confirmou a chegada e informou que os imigrantes receberam autorizações de permanência de curta duração no país.
O acordo entre a República Democrática do Congo e os Estados Unidos prevê que Washington tenha acesso aos recursos minerais estratégicos do país africano — matérias-primas cruciais para a indústria eletrônica global. Em contrapartida, o Congo autorizou voos de repatriação de imigrantes irregulares para seu território.
Segundo fontes ligadas à Presidência congolesa, outras deportações devem seguir em breve, a um ritmo de cerca de 50 pessoas por mês. O Ministério das Comunicações do Congo afirmou que as chegadas ocorrem “segundo o cronograma estabelecido pelas autoridades competentes”.
O esquema integra uma estratégia mais ampla do governo Trump de enviar imigrantes em situação irregular a países terceiros — muitos deles africanos — em troca de contrapartidas financeiras ou logísticas. Os países receptores, no entanto, fornecem poucas informações sobre as condições em que esses grupos são mantidos após o desembarque.
Latino-americanos deportados sem vínculo com o destino
A chegada de peruanos e equatorianos ao Congo expõe uma face pouco debatida da política migratória americana: a deportação de pessoas para países com os quais não têm nenhum vínculo cultural, histórico ou linguístico. A prática levanta questionamentos sobre os direitos dos imigrantes submetidos a acordos bilaterais que não os consultam.
Organizações de defesa de migrantes alertam para a dificuldade de monitorar as condições desses grupos, já que autoridades dos países receptores raramente divulgam detalhes sobre o que acontece após o desembarque.
O Congo, por sua vez, enfrenta conflitos armados no leste do país há mais de 30 anos — um contexto de instabilidade que torna ainda mais delicado o recebimento de populações vulneráveis vindas de outros continentes. Conversas para estabilizar a região seguem sem resultados concretos, segundo a agência France Presse.
