A Prefeitura de Jacareí notificou a Caoa Chery sobre a possibilidade de desapropriação da área doada à montadora, cuja fábrica está desativada desde 2022.
O município exige um plano para a retomada da produção de veículos e geração de empregos, sob risco de abrir processo para retomar o terreno.
O prefeito Celso Florêncio (PL) afirmou que tentou diálogo, mas agora “parte para o litígio”.
Acordo não cumprido e impacto local
Segundo a administração municipal, a doação do terreno à Caoa Chery foi condicionada à implantação e funcionamento efetivo da unidade industrial, com geração de empregos e atividade produtiva. No entanto, a prefeitura aponta que a montadora não cumpriu as obrigações previstas em Memorando de Entendimentos firmado em 2010. Dados do processo administrativo mostram que, em 2020, a empresa contava com apenas 444 empregados, número bem abaixo da expectativa inicial de mais de 3.000 postos de trabalho.
Atualmente, a unidade encontra-se inativa, o que, segundo a prefeitura, causa prejuízo ao erário e frustração dos objetivos de desenvolvimento econômico, arrecadação e emprego para a cidade. O município ressalta que imóveis que não cumprem sua função social podem ser alvo de desapropriação-sanção.
Em comunicado, a prefeitura reforçou: “A paralisação da planta implica frustração dos objetivos de desenvolvimento econômico legal, arrecadação e emprego”.
Histórico da fábrica e expectativas frustradas
A fábrica da Caoa Chery está desativada desde 2022, quando 485 funcionários foram demitidos sob a justificativa de que a unidade passaria por adequações para futura produção de veículos elétricos, o que não ocorreu até o momento.
Inaugurada em 2014, a unidade foi a primeira da montadora chinesa Chery no Brasil, resultado de três anos de obras e investimento de US$ 400 milhões, com a meta de ampliar sua participação no mercado brasileiro. Apesar do investimento, os resultados ficaram aquém do esperado.
Em 2017, a CAOA assumiu metade da operação da Chery no Brasil, em uma tentativa de reverter o desempenho insatisfatório em vendas e metas estipuladas pela matriz chinesa. Até o momento, o plano de retomada produtiva não foi apresentado à prefeitura.